(*) Wilse Arena

Ele estava ansioso para participar da corrida.  Anos de dedicação. Sentia-se preparado. Seria a sua consagração. O seu futuro como atleta estaria garantido. Mas, na marca de saída com os demais, recebeu uma notificação: por ser negro e pobre, deveria começar vinte passos atrás.

Como assim?
Mesmo sem entender o porquê, não perdeu as esperanças. Tinha fé de que, era forte e determinado e que isso lhe daria a vitória. O tiro anunciando a partida soou e ele deu tudo de si. Mas, no final, só conseguiu se aproximar do terceiro colocado. Inconformado e se culpando de seu péssimo desempenho, começou a fazer planos para se preparar melhor para a próxima vez.

E veio a próxima, a próxima …
Até que se convenceu, de que era um fracassado e desistiu de competir. Afinal, toda sua preparação física lhe seria de grande valia na profissão de gandula, ou algo do tipo.

É isso que a ideologia da meritocracia faz com as pessoas: que se sintam culpadas de seu próprio fracasso e conformadas com o que lhes resta no mercado de trabalho, quando, na verdade, o que não há é igualdade de oportunidade em todos os sentidos.

É difícil, ou melhor, injusto, competir com quem já sai na frente com vantagem!

(*) Wilse Arena da Costa é professora, doutora em Educação. Palestrante, escritora e membro Fundadora da Academia Rondonopolitana de Letras/MT, Cadeira n° 10

2 COMENTÁRIOS

  1. O personagem do texto, por ser negro e pobre, tem cota em concursos publicos e vestibulares. Assim, não se encontra desassistido como sugere a autora. Fui pobre e ascendi socialmente quando ainda não existiam cotas. Por que consegui, e os outros não? Resposta: mérito. O texto é uma critica ao capitalismo e um argumento para justificar o estado provedor e intervencionista do socialismo, que, na cabeça de seus adeptos, pode promover a igualdade social

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here