08/06/2021 – Nº 623 – Ano 15

Às vezes não estamos satisfeitos com a nossa vida, com o nosso momento e nem com a nossa era. Sim, tem gente que tem um saudosismo inexplicável “de antigamente”. Lá era bom e vivíamos melhor argumentam alguns. Tínhamos mais saúde justificam outros. Puro engano ou falta de atenção para estabelecer juízo real. Aliás, a insatisfação é justamente um dos motivos que fez o homo sapiens progredir continuamente desde que deixou a África há mais de 200 mil anos. Mas reconhecer o quanto a humanidade evoluiu é dever de qualquer um que minimamente tenha acesso às informações básicas.

Já escrevi aqui que há apenas 200 anos, 43% das crianças morriam antes de fazer 5 anos. Em 1985, eram 10% e hoje está na casa dos 4%. E felizmente a curva está caindo anualmente. Principalmente em função de melhoras na dieta, nos lares e na higiene, da saúde pública cada vez mais acessível e abrangente, além dos novos antibióticos e vacinas.
Em relação a alfabetização, há 100 anos, em 1820, apenas uma em cada 10 pessoas maiores de 15 anos sabia ler e escrever. Em 1930 era uma em cada três (sim, isso mesmo. Apenas 33% sabiam ler e escrever). Hoje, a porcentagem chega aos 85% no mundo todo. E vem caindo ano após ano.
Mas vamos mais longe: você preferiria ser um rei na idade média (não esses “de enfeite” de hoje em dia) ou um simples operário atualmente? Me refiro aos reis de verdade, não os inventados pelas fantasias hollywoodianas.

Provavelmente muitos diriam um rei, já que como tal, poderia ter todos os recursos que quisesse e estivessem disponíveis no seu reino e às vezes fora dele, dentre estes a vassalagem e os melhores profissionais existentes.
Mas aí surgem outras perguntas: que tipo de recursos estavam à disposição de um rei naquela época que não fossem os serviçais, bajuladores ou prisioneiros? Quais eram as estruturas de moradia, transporte, saúde ou alimentação na época, capazes de gerar conforto?
Viver naquela época era horrível mesmo para um rei sob a nossa ótica atual, é claro. Para lembrar, transporte apenas no lombo de animais ou puxados por eles. Não havia ar-condicionado ou calefação. Mesmo um rei poderia morrer de bacterioses simples, já que a Penicilina apenas foi descoberta em 1928.
Para dormir, nada de colchão de espuma ou mola, era de palha mesmo, muitas vezes infestado de pulgas. Se o rei se machucasse seriamente ou um dente tivesse carie, aguardente era o anestésico mais comum, uma vez que o éter foi usado a primeira vez para tal, apenas em 1846. Antes disso era na pura sorte. Um rei com 40 anos era tido como muito velho, já que a expectativa de vida à época rondava os 30 anos apenas.

Hoje, a ampla maioria das pessoas tem acesso minimamente ao básico do conforto nunca imaginável nem mesmo para um rei na idade média. Por isso, a escolha inteligente para a pergunta lá de cima seria obviamente ser um operário hoje ao invés de um rei em qualquer fase daquela época.
Por isso, investimentos fortes na melhor distribuição de renda e, por conseguinte, em educação, inovação e tecnologia, em todas as camadas sociais são imprescindíveis para reduzir de uma vez por todas esse percentual nefasto de 8,6% da população mundial que ainda vive em situação de extrema pobreza e muitas vezes não tem acesso ao elementar.

Até a próxima.

(*) Eleri Hamer escreve esta coluna às terças-feiras. É empreendedor, Diretor da GoJob Brasil, business advisor, mentor e articulista – [email protected] – www.linkedin.com/in/elerihamer – Originalmente publicado no Jornal A Tribuna – www.atribunamt.com.br

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