Pandemia mudou dinâmica comercial em todo o país e fez crescer demanda por serviços de entrega (Foto – Roberto Nunes/A TRIBUNA)

A pandemia trouxe algumas mudanças na dinâmica do mercado na maior parte das cidades. Restrições e necessidades de adaptação fizeram com que algumas atividades, nem sempre lembradas pela maioria, passassem a serem olhadas de outras formas. Uma delas foi o serviço de entregas, que se ampliou no último ano como uma forma de atender a necessidade crescente de empresas, pois a demanda pelo serviço cresceu. Mais gente passou a permanecer em casa para evitar a contaminação e a adotar o hábito de solicitar a entrega de comida, bebidas, entre outros produtos.

Como o mercado pede, as empresas se adaptam e passam a ofertar serviços que antes não pensavam em ofertar. Hoje, basta olhar para as ruas da cidade e ver a quantidade de motoboys em ação. Para alguns, virou uma alternativa de renda na pandemia com a oferta maior de serviço, mas para muitos é o ganha pão diário. Assim como profissionais da saúde, limpeza, dentre outras áreas essenciais, os entregadores não pararam e agora, além de se arriscarem no trânsito, correm risco maior de serem contaminados e de infectarem seus familiares.

 

O Jornal A TRIBUNA ouviu três trabalhadores da área, que contaram um pouco do dia a dia nas ruas de Rondonópolis durante essa pandemia e como a rotina do trabalho mudou. Eles falam do medo do vírus, do aumento do serviço com a pandemia e da busca por alternativas para terem uma renda um pouco maior neste momento de demanda crescente.

 

 

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Waldir Cordeiro da Silva, 42 anos, conta que desde o início da pandemia se preocupa com os pais idosos, com quem divide a casa. “Como moro com meus pais idosos, é preciso ter muito cuidado para não infectá-los. Depois de cada dia de trabalho, é rotina ter que tirar as roupas e tomar um banho antes de entrar em casa”. Waldir atua como motoboy em Rondonópolis há 15 anos, tem uma microempresa que agrega outros entregadores e diz que, apesar do medo, não pode parar. “É meu ganha pão. Tenho família e filhos para sustentar, então a gente de adapta”, completa.

O motoboy Joel Marcos Júnior, 29 anos, que trabalha há quatro anos em entregas para empresas da cidade, explica que, como as corridas têm valores baixos e a demanda aumentou, é preciso correr. Em média, atualmente, ele faz 35 corridas em um dia, para garantir um bom ganho ao fim da jornada. “Aumentou o fluxo de serviço e muitas empresas começaram a trabalhar com entregas em função das restrições. As pessoas ficam mais tempo em casa e por isso também passaram a pedir mais entregas em domicílio. Isso aumentou muito a demanda e como não ganhamos muito por corrida é preciso aproveitar e trabalhar mais”, afirma.

 

(Foto – Roberto Nunes/A TRIBUNA)

Com o aumento da demanda pelo serviço e também com o crescimento no número de pessoas que perdem seus empregos, o trabalho de motoboy também virou alternativa de renda para alguns. Willian Prado Cardoso, 32 anos, se mudou para Rondonópolis há 9 meses e precisava trabalhar. Encontrou no trabalho como motoboy uma forma de garantir a renda. “Para mim está dando certo, mas vejo que precisam valorizar mais o nosso trabalho. Nós também temos medo de se infectar, mas precisamos trabalhar e adotamos os cuidados como o uso de máscara, o uso do álcool”, justifica ele.

“A maior parte dos motoboys tem nesse trabalho sua única fonte de renda e a família para sustentar, por isso, queremos um pouco mais de respeito de alguns. A gente sabe que tem uns guris que estão fazendo entrega só para arrumar um dinheiro a mais e nem sempre são responsáveis no trânsito ou no trabalho, mas eles são minoria e não representam todos que trabalham com isso de forma séria há anos e têm nessa atividade seu ganha pão”, complementa Joel.

Outra mudança que veio com o aumento da demanda foi a busca de alternativas para ganhar um pouco mais. Como empresas de entrega cobram parte dos valores das corridas dos motoboys, alguns tiveram a iniciativa de criar grupos de WhatsApp onde agregam os entregadores, que trabalham como autônomos, e empresas e assim negociam as entregas direto com os empresários. A iniciativa surgiu nos primeiros meses da pandemia, quando a demanda pelo serviço cresceu muito. Hoje, o grupo já tem mais de 1 mil motoboys e mais de 300 empresas. “Foi uma alternativa para não pagar às empresas de entrega. Dessa forma, os valores das corridas ficam com os trabalhadores”, explica Waldir.

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