(*) Max Ferraz

Todo poder emana do povo, assim os gregos traduziram a palavra democracia. Mas, no chão da realidade, para, além disso, se não brotar desse mesmo povo a consciência cidadã sobre todas as coisas que vive esse povo, principalmente responsabilidades no seu comportamento social não tem sentido esse poder.

Há quase dois anos essa cidade, assim como o mundo, vive seu maior flagelo, recaiu sobre a humanidade um vírus vindo do Oriente, viajando pelo contágio das mãos com intenção de exterminar a humanidade, causando um pesadelo nos governos. Como medida preventiva na contenção da doença surge uma palavra que está causando toda sorte de confusão, o tal Lockdown.

Ele é um castigo que não deu certo porque não foi aplicado de forma correta, ou ele não deu certo porque tem de ser aplicado 100 vezes até que na última dê certo? Segundo o site Wikipédia, lockdown é o bloqueio total ou confinamento, é um protocolo de isolamento que geralmente impede o movimento de pessoas ou cargas. Essa pseudo prudência criada pelos comitês gerou uma incongruência no entendimento da população, dada circunstância que a gente vem de uma vertente que é inventar pequenas soluções para grandes problemas, essa medida toda vez que o índice da doença sobe ela é aplicada automaticamente de olhos fechados na população, como se fosse a única maneira de bloqueio sanitário.
O resultado é sempre o mesmo, um verdadeiro laboratório da tragédia, privilegia alguns setores principalmente o diurno e deixa outros sufocados em dívidas, estou falando do setor noturno.

Mas vamos lá, explicar porque essa ação é falida. Toda vez que o lockdown entra em cena a população inverte o sentido e cria várias noções a respeito dele, a principal delas é férias coletivas que é o genocídio consciente. As pessoas vão para seus sítios, beira de rios, chácaras, ranchos fazerem suas festas particulares aumentando o contágio da peste e, de quinze a vinte dias os leitos dos hospitais abarrotam novamente. Outros agravantes são ônibus lotados que equivalem a aglomerações, supermercados lotados, maquininhas sem higienização, fila de bancos e lotéricas servindo de corrimão e play Center para o vírus brincar com a saúde da população.

O fim não está num horizonte previsível e ninguém tem o monopólio da razão. Está mais do que na hora de inverter essa lógica perversa de aceleração da miséria. Temos que deixar os pontos de vistas diferentes de lado e cuidar do que é mais importante: O ser humano. O art.: 05 da Constituição brasileira garante a liberdade de ir e vir, por isso há que se criar outras medidas que não sejam essa de trancar o povo dentro de casa e ele escapar como areia movediça indo buscar sua liberdade nos espaços privados.

É tempo de cuidarmos um do outro e a única ferramenta que funcionará é a velha e boa consciência individual. Para criar um verdadeiro Cinturão Epidemiológico temos que pensar em disparos em massa de informação para evitar o contato interpessoal, transferência de responsabilidade para todos, regras rigorosas de higiene, vacinação para todos, punir severamente os infratores, contemplar toda ordem de direitos e não uma só categoria, conscientizar a população de que é ela a maior responsável pela transmissão, pois o vírus cresce em progressão geométrica tão somente através do contato entre pessoas.

(*) Maximiano Ferraz de Almeida é músico e professor em Rondonópolis.

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