É raro, hoje em dia, um estudante que não tenha dificuldade em interpretar e interagir com um texto atribuindo-lhe sentido. Se algo está errado, se um grupo de alunos não consegue entender o que está lendo, cuidado, qualquer um de nós pode ser o culpado. A maneira de dizer isso é conhecida: “a culpa é da sociedade”; ou: “a culpa é de todos nós”. No entanto, a mais apontada das culpas é atribuída à escola, ou seja, do ensino por acreditarem que a leitura na vida dos mesmos começa ali. A hipótese de que as pessoas atingidas por qualquer dificuldade da vida tenham alguma responsabilidade, por menor que seja, em sua situação não é sequer considerada. Os culpados são sempre os outros. A responsabilidade pelas carências dos leitores, na falta de alguém que possa ser acusado de imediato, é atribuída, infelizmente, aos professores de Língua Portuguesa.

Provavelmente no Brasil de hoje, num leque de problemas que vão da pandemia do novo coronavírus aos homicídios infantis, nem é preciso esperar tanto. O culpado não vai aparecer. Prepare-se, então, para refletir nesta pergunta: Qual é a relevância da leitura em todas as disciplinas escolares? Contribuir para incentivar o aluno a praticar e, posteriormente, fazer com que a leitura obrigatória se torne um hábito.

Sobre esse assunto, Kleiman e Moraes (1999, p.123) dizem o seguinte: “o desenvolvimento de leitores não se dá espontaneamente. É preciso instrumentar o (a) estudante para que aprenda a ler.” Haja vista que aprender a ler não é só pronunciar corretamente as palavras, mas sim fazer reflexões e argumentos a partir da leitura. Quando a pessoa lê, consegue enxergar além do que está escrito, assim facilitando a comunicação de termos gramaticais e literários nas aulas de Língua portuguesa. Vê-se aí a importância do incentivo à leitura em todas as disciplinas escolares, na Educação Infantil e em casa com o apoio dos familiares, pois assim a leitura na vida dos alunos seria realmente incluída, cumprida e aproveitada.

Portanto, acredita-se que a leitura contribui com o desenvolvimento humano e, provavelmente, se continuarem exigindo, ofertando e proporcionando a leitura nas instituições escolares e em casa, os professores, a família e demais da sociedade poderão se sentir livre da culpa pela ausência de leitura na vida dos estudantes/crianças. Ademais, as nossas crianças e os nossos alunos irão, não somente se sentir incentivados, mas compensados com a leitura e perceberão que a leitura produz o condão transformador da vida do ser humano que consegue perceber o valor que ela possui.

(*) Luciene Teodoro das Chagas Passos e Lhays Ingryd Soares Leite são professoras da Rede Municipal de Educação de Rondonópolis.

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