25/05/2021 – Nº 621 – Ano 15

 

Estamos procurando outras formas de vida igual a nossa pelo espaço afora há muito tempo. Conhecemos minimamente apenas uma minúscula parte do enorme universo estimado e por isso me atrevo a dizer que sim, acredito em outras formas de existência semelhantes a nossa.

É quase insano imaginar que apenas aqui, nesse planeta, a vida tenha se tornado possível, já que a missão da sonda Kepler, por exemplo, em 2016, rastreou mais de 1284 planetas e o contador de planetas vem aumentando continuamente esse número. Mas, segundo estimativas do Instituto de Astrofísica de Paris existem cerca de 160 bilhões de planetas alienígenas, que ficam fora do sistema solar, de diferentes tamanhos e constituições.
Dá para imaginar o que isso significa? Além disso, segundo outros dados do próprio Instituto a maioria desses astros ainda desconhecidos deve ter uma estrutura pequena e rochosa, muito parecida com a da Terra, com chances de abrigar algum tipo de vida.

De outro lado, mesmo que tenhamos a oportunidade de descobrir vida em outro planeta, tenho sérias dúvidas de que seriam evoluídos como nós humanos, ainda que normalmente tenhamos uma autoimagem pessimista da humanidade.

Acredito piamente, sem falsa prepotência, de que somos únicos em vários quesitos, principalmente: inteligência, trabalho concatenado e diversidade de propósitos. Esse último, ao mesmo tempo que muitas vezes nefasto é um dos grandes diferenciais dos humanos na nossa evolução exponencial que fomos capazes de empreender após a revolução cognitiva, 30 mil anos atrás.
Essa semana, duas reportagens me fizeram pensar nessas possibilidades e de quanto somos incríveis como seres capazes de perpetuar nossa existência, de nos reinventar e de ao mesmo tempo criar possibilidades inimagináveis. Uns desafiando a lógica e outros até sucumbindo ao atraso.

A primeira, da Forbes, anunciando que após apenas 14 dias, as ofertas para um assento no primeiro voo com tripulação da empresa espacial de Jeff Bezos (fundador da Amazon e um dos homens mais ricos do mundo), a Blue Origin, foram abertas e já ultrapassam US$ 2 milhões. O voo espacial está programado para 20 de julho, data de aniversário do pouso de Neil Armstrong na Lua.

Várias outras iniciativas estão acontecendo nesse momento, reaquecendo o interesse pelo turismo espacial e dando mostras de como o ser humano nunca para, puxando o fio do avanço e da exploração para além de suas fronteiras, gastando muita energia e recursos, demonstrando quanto isso é relevante e instigante para a espécie, assim como fizeram nossos ancestrais quando saíram da África e ganharam o mundo.

Interessante refletir de que apesar de aparentemente insano, já que milhões morrem de fome enquanto outros brincam de torrar muito dinheiro fazendo turismo espacial, subliminarmente pode existir um motivo de sobrevivência da própria espécie: a busca de uma nova fronteira ou de uma nova casa.
Vale lembrar que dentre os nossos avanços mais significativos muitos decorreram apoiados também sobre o eventual sacrifício de uma parcela da população. Isso vem ocorrendo desde sempre na humanidade. A diferença é que agora a aventura é fora do nosso planeta.

A segunda, da rede CNN, sobre a possibilidade de se tomar a vacina contra Covid-19 nos EUA, utilizando-se voos executivos e que podem custar mais de R$ 500 mil. Como a própria reportagem afirma, algo que parecia improvável agora é uma tendência entre o público mais abastado, motivado pela escassez de imunizantes contra o novo coronavírus no Brasil, criando o “turismo da vacina”.

Essa me fez pensar em duas questões: uma delas é sobre o quanto o poder econômico é capaz de proporcionar eventual acesso aos benefícios oferecidos pela tecnologia. E a outra é o contrassenso que a ignorância (que necessariamente não tem a ver com poder econômico) e o extremismo são capazes de produzir, já que enquanto uns gastam uma fortuna para se vacinarem, outros, mesmo com as vacinas disponíveis gratuitamente no posto de saúde do seu bairro teimam em não tomá-la.
Vai entender, né?
Até a próxima.

(*) Eleri Hamer escreve esta coluna às terças-feiras. É empreendedor, Diretor da GoJob Brasil, business advisor, mentor e articulista – [email protected] – www.linkedin.com/in/elerihamer

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