Ele pode ser verde, colorido, ter duas cabeças, cara de mau, o fato é que o coronavírus está presente com força no imaginário das crianças, e agora aparece frequentemente nos desenhos delas no lugar dos monstros debaixo da cama.

Feito a imagem de uma figura mítica que se fixa estereotipada na cabeça das pessoas, porque sempre se parecem na mentalidade popular, como Bicho Papão, o coronavírus das crianças são bolotas com espetos saindo de sua circunferência. Será que esses desenhos nos ajudam a compreender a pergunta valiosa sobre o que as crianças estão achando da pandemia? Será que estão tão angustiadas quanto nós, adultos?

Se educar uma criança nunca foi sinônimo de dar a ela respostas sobre todas as coisas, agora, enquanto vivemos a maior crise sanitária global do século, a impossibilidade de se ter certezas se intensificou.

Com as aulas interrompidas e a ausência da escola como primeiro espaço de socialização e aprendizagem, as referências de conduta das crianças não estão mais nos educadores e nos colegas, mas concentradas nas famílias que vivem com elas sob o mesmo teto. O que nós estamos vivendo hoje é uma crise, então sim, pode haver prejuízos no desenvolvimento emocional da criança, não apenas em função do isolamento social, mas também das outras ‘crises dentro da crise’: da saúde, do medo, e até a financeira. Mesmo que não atinjam diretamente a criança, vão inevitavelmente atingir seus familiares que poderão reagir diante desta situação de diversas formas, dependendo do quanto se sentem capazes ou não de lidar com as ameaças: preocupação, estresse, desamparo. Contudo é preciso encontrar um equilíbrio.

A criança, assim como nós, teve muitas perdas com a pandemia e o isolamento, uma delas é a rotina que foi totalmente modificada é essencial que os pais saibam que essa situação também é muito dolorosa para as crianças, que elas provavelmente estão sofrendo, sem saber como lidar com um sofrimento tão grande e novo, e que dêem espaço e abertura para que essas emoções apareçam e possam ser elaboradas, seja por meio de brincadeiras, de desenhos, de conversas, de contato físico (se possível). Para isso, não há nada melhor do que fazer perguntas, se envolver com as brincadeiras e estar junto, com esperança de que logo tudo isso passará e voltaremos ao novo normal.

(*) Patrícia Passos Ferreira, Aridinar Alves Ferreira, Sandra Maisa Pina Borges, Renata da Penha Coelho Mata e Elizabete Sena Nogueira Luna são professoras da Rede Municipal de Educação.

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