Ouço muita gente perguntando: como será o trabalho depois que a Covid-19 acabar? Vamos voltar aos escritórios ou vai mesmo ser virtual, no home office? O que vai valer?

O fato é que não creio que a gente vá se livrar do bicho tão cedo. Essa é a primeira questão. Vamos conviver com ele e a tendência, pelas vacinas e remédios que surgirão em maior número, é que ele deixe de matar tanto como hoje, tornando-se uma doença mais gerenciável. Mas já vai ter deixado a sua marca.

Segundo, penso que o mundo é bacana e instigante, justamente porque essas pessoas que vivem nele (estimados pela ONU, em abril, por volta de 7,87 bilhões de pessoas) não permitem que se faça um prognóstico acurado, já que o futuro é dinâmico e autoajustável. E é isso que faz dele um lugar interessante para se viver. Então, não sabemos, mas podemos deduzir algumas coisas.

O certo é que o ponto crucial da mudança no ambiente de trabalho já aconteceu. Agora estamos trabalhando para criar indicadores e ver a melhor forma de isso seguir daqui para frente. Pouca coisa está definida.
Há áreas em que o trabalho remoto vai prevalecer, outras nem tanto. Algumas, como o direito por exemplo, se adaptaram rapidamente e avançaram de tal modo que surpreenderam muita gente. E vem mais novidades, e em alta velocidade, nesses setores.

Mas de um modo geral, também precisamos relevar os arroubos que muitos “gurus da futurologia” vaticinavam recentemente, afirmando que o remoto reinaria absoluto. Já há evidências de que não é bem assim e muita gente tem voltado atrás nos seus posicionamentos.

Mas claro, se você tem dificuldade em trabalhar de casa ou via remota de algum lugar que não seja o escritório, é bom colocar as barbas de molho e melhorar sua relação com a tecnologia, porque sua empregabilidade corre sério risco, já que o remoto veio para ficar em todas as áreas. A questão é saber em que medida isso vai acontecer, e não se vai.
Mas, como disse, está em curso uma revisão das certezas absolutas e colocando um freio no remoto. Sinalizando que o trabalho presencial é fundamental por várias questões e áreas e que não será abandonado tão cedo.

Em reportagem recente da BBC, sob o título chamativo de “Por que gigantes de tecnologia agora rejeitam trabalho remoto em tempo integral”, essa mudança de posicionamento fica evidente e pode até parecer um paradoxo, mas é apenas o ‘baixar da poeira’ do entusiasmo.

Segundo o texto, as grandes do Vale do Silício, tais como Google, Twitter, Microsoft, além da Amazon, por exemplo, estão revendo suas políticas de trabalho remoto e até antecipando o retorno de seus funcionários aos escritórios.

A mensagem da Google parece clara, segundo a reportagem: pode haver mais flexibilidade do que antes, mas a maioria dos funcionários terá que ir para o escritório. A Microsoft, por sua vez, anunciou que “trabalhar em casa parte do tempo (menos de 50%) será o padrão para a maioria dos empregos” no futuro. Perceberam que é de zero a 50% no máximo? Isso dá uma ideia de quanto ainda há por avaliar.

Existe um conjunto enorme de vantagens do trabalho remoto, mas está claro que ele não serve para qualquer colaborador. Acredito que essa opção depende da capacidade produtiva dos próprios profissionais em primeiro lugar. Bons profissionais tendem a reunir maiores condições de utilizar o modelo, mas os medianos certamente teriam alguma dificuldade e tornar-se-iam desinteressantes para as próprias organizações. Mas não é só isso: envolve também aspectos psicológicos de cada indivíduo.

De outro, o engajamento, a colaboração e a integração das equipes, dentre outros pontos que requerem um relacionamento profissional tête-à-tête, tendem a perder qualidade no remoto em detrimento ao presencial.

Parece claro que o modelo híbrido prevalecerá amplamente, seja ele alternado ou contínuo. Também é certo que não existe receita e cada organização ainda terá de descobrir qual a melhor forma de colocá-lo em prática. Mas você deverá aprender a trabalhar nos dois se quiser continuar a ser competitivo e empregável.
Até a próxima.

Eleri Hamer escreve esta coluna às terças-feiras. É empreendedor, Diretor da GoJob Brasil, business advisor, mentor e articulista – [email protected] – www.linkedin.com/in/elerihamer

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