O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT) e a Justiça do Trabalho destinaram cerca de R$ 56 mil para o “Projeto Maker: Desenvolvimento do Sistema de Baixo Custo para Recirculação, Umidificação e Desinfecção do ar”, que será conduzido pela Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) e visa à criação de produtos voltados à melhoria da saúde pública.

O projeto, que será desenvolvido em parceria com a Associação dos Especialistas Médicos e outros Profissionais de Rondonópolis, tem por objetivo a criação de um sistema de baixo custo que promova a recirculação, umidificação e desinfecção do ar por meio da radiação UV-C para utilização em ambientes fechados e com ar condicionado.

A coordenadora do projeto, Silmara Bispo dos Santos, explica que “o uso de equipamentos que possam promover a recirculação do ar em conjunto com esterilização e umidificação é uma maneira de minimizar ainda mais os riscos de transmissão de doenças causadas por bactérias ou vírus, como é o caso da Covid-19”. 

Ela pontua que a iniciativa leva em consideração a atual fase da pandemia no país e um possível retorno de atividades presenciais em ambientes de repartições públicas e escolas, bem como a necessidade de se acrescentar alternativas que auxiliem na redução de riscos de contaminação.

“No Estado de Mato Grosso, o uso de equipamentos de ar-condicionado para a climatização de ambientes é comum e amplamente difundido entre a população devido às temperaturas ambientes serem extremamente elevadas”.

Segundo Silmara, as técnicas de esterilização/desinfecção de ar e superfícies, como a utilização de ozônio e a utilização de lâmpadas germicidas (lâmpadas de radiação UV-C), foram mais difundidas durante a pandemia, mas os benefícios do uso destas técnicas em ambientes como escolas, universidades e repartições públicas vão além da Covid-19.

Na primeira fase, o objetivo é reduzir a transmissão de doenças como a Covid-19 e outras gripes. Posteriormente, o estudo poderá ser ampliado para auxiliar no enfrentamento da dengue, zika e chicungunha.

O projeto propõe a montagem de cinco protótipos, desenvolvidos e construídos nos laboratórios do curso de Engenharia Mecânica da UFR.

Estas unidades, após testes e ajustes, serão instaladas em locais públicos de maior risco de contaminação, como salas de aula, para avaliação.

Será realizado um planejamento para instalação dos protótipos em ambientes onde os usuários possam ser monitorados em relação à ocorrência de gripes, resfriados ou doenças associadas, como asma, bronquite e sinusite. Nesta etapa, este projeto contará com a orientação de professores e acadêmicos do curso de Medicina da universidade.

“O impacto na sociedade que se espera com este projeto envolve a difusão de uma tecnologia que permite, a um custo relativamente baixo, obter o ar ambiente descontaminado e desinfectado, ou seja, livre de fumaças e odores e livre de vírus e bactérias. Espera-se que, a partir deste projeto, haja o desenvolvimento de um equipamento com multifuncionalidades visando à manutenção da boa saúde dos usuários. Espera-se também que os resultados deste projeto possam servir de base para outras pesquisas e desenvolvimento de dispositivos que visem à promoção da saúde de trabalhadores e usuários de espaços confinados e para a tomada de decisão posterior de diferentes setores da sociedade sobre a utilização desta tecnologia”.

Segundo o procurador do MPT Gustavo Athaide Halmenschlager, “trata-se de uma importante ação colaborativa do Ministério Público do Trabalho, que, reconhecendo a expertise e qualidade da Universidade Federal de Rondonópolis, tem por objetivo a melhoria das condições do meio ambiente de trabalho”. 

 O valor total da destinação é de R$ 56.588,27. Os recursos são oriundos de uma ação de execução e de duas ações civis públicas movidas pelo MPT contra empresas que descumpriram a legislação trabalhista.

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