É sabido que as emoções influenciam e contribuem com/no desenvolvimento social e cognitivo de todos os sujeitos, e as crianças dentro da sala de aula, em seu processo de interação e aprendizagem necessitam de momentos onde elas possam ser percebidas, espaço para que seja criado possibilidades de relações seguras e amorosas para ajudá-las a enfrentar seus desafios. O afeto é um dos meios que ajuda na conquista da confiança, respeito, admiração e automaticamente favorece e cria a autoestima.

Segundo Franca Magistretti (1968), a afetividade tem importância para o mundo das crianças, pois é através dela que o significado de estudar se desenvolve melhor, com mais motivações, levando-as a se tornarem adultos com mais facilidade de enfrentar os tropeços oriundos da convivência social.

Mas, no ano de 2020 uma ameaça viral tomou conta do mundo, o Novo Coronavírus também denominado covid-19. Foi necessário que os seres humanos se afastassem para inibir a contaminação.

Abraços e manifestações de carinho através do contato físico foram proibidos, mas como proibir as crianças de se abraçarem e estarem próximas se esta relação sempre foi primordial no processo de aprendizagem delas? Foi necessário proibir as aulas presenciais como medida de segurança e cuidado com a vida. Com isso, os professores precisaram se reinventar para continuar com esse vínculo.

As demonstrações de afeto e carinho vieram com as demonstrações realizadas em vídeos. Os momentos e formas de demonstrar a afetividade e ensino tiveram que se adequar de acordo com o momento vivido e com o ambiente de aprendizagem.

Logo, isso requer do profissional docente mais sensibilidade e habilidades, para pensar e planejar de forma que as crianças ainda se sintam acolhidas e envolvidas em amor. Segundo Freire (1996), o professor deve estar atento ao seu olhar perante o seu aluno, pois o olhar revela o que o professor está sentindo naquele momento, portanto é necessário que o professor aprenda com o olhar de cada aluno.

Nas aulas remotas o afeto pode ser manifestado através das atividades lúdicas gravadas pelo professor, através das brincadeiras definidas para realizar com a criança mesmo, esta estando do outro lado da tela. Nas devolutivas a família cabe ao docente alegrar o material encaminhado e este sempre segue com um mimo para a criança.

É claro que esta metodologia está longe da ideal, mas é a real possibilidade do momento. Em meio à pandemia as crianças ficam mais sensíveis e inquietas é importante que o professor se comunique com ela de formas diferentes, como perguntas sobre a alimentação, família, amiguinhos dentre outros, é importante também que a criança tenha um espaço agradável para que isso seja possível. Um dos desafios no ensino remoto é o fato de nem todas as famílias terem acesso e conhecimento a tecnologia para auxiliar a criança/estudante nesta nova roupagem de ensino e aprendizagem.

REFERÊNCIAS
MAGISTRETTI, Franca. O mundo afetivo da criança. Edições flamboyante. Rio de Janeiro/São Paulo: Distribuidora record,1968.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

(*) Érica Aparecida Amaral Bueno é acadêmica de Pedagogia da Universidade Federal de Mato Grosso – Campus de Rondonópolis. Atualmente estagiaria da Educação Infantil na Escola Cie – Centro Integrado De Ensino (2021). E-mail: [email protected]

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