A pessoa desumanizada, para a sua redenção e libertação, carece de aproximação na relação pessoal, viva e íntima com a práxis que impulsiona a caminhada, que mobiliza a conectividade do sentido da vida. A juventude dessa geração, que vive no estágio da ambiguidade, ao sabor da orientação da política da mentira e poder da maldade, urge assumir o protagonista para ruptura da hegemonia – cultura e política – instituída.

A curvatura da vara focalizada, para concepção neoliberal de mundo é afastá-lo de tudo, do sonho e luta para o resgate do significado de cidadania. O fato singular é que a mente reificada e cingida, pela ideologia da desesperança, o resultado é o vazio da existência e ofuscamento da realidade.

O indivíduo que encontra nesta situação somente reconhece a possibilidade de envolver-se, no campo de batalha para saída, que indica o caminho da libertação, quando chega ao extremo do entroncamento na bifurcação da existência, que leva a situação-limites.

No contexto político pandêmico genocida, na arena da contradição e encruzilhada da existência, no próprio túnel tem luz. Porém, precisa abrir os olhos a hospitalidade e amizade para perceber o caminho que pauta a condição, que indicação de saída para libertação.

A passagem de um tempo espaço, até na perversidade, constitui um caráter pedagógico significativo, para formação da consciência social, porque implica em mudança na percepção de mundo. Hoje vivemos submetidos a natureza imperial do capitalismo, a serviço globalização econômica, vinculado ao desmonte do estado nacional, como aparência da sobrevivência da governação do poder maligno.

A tônica dessa prática política que chafurda a massa ao medo, a dominação, favorece o poder dominante, porque passa assumir a condição de representante da massa desvalida socialmente, reverberado ao populismo conservador e perversidade autoritária. Porém, nega a participação popular nas “decisões sobre a coisa pública” e poder político.

A cisão com o fetichismo da mercadoria que naturaliza, a tolerância da injustiça social, implica ativar a percepção da diferença de classes, como ponto de partida para tomada de consciência, na perspectiva de lançar-se a luta pela libertação coletiva.

É preciso que a juventude – a populaçã o- perceba e desvele quem realmente se beneficia com a prática genocida da injustiça e a sua vinculação a religião sacrifical. Neste ponto fulcral, para elucidação da realidade, o desafio que se apresenta é o compromisso com o rompimento do desejo imaginário entre “as classes que se beneficiam e as que não se beneficiam”, da produção da riqueza produzida pela humanidade. Para que isso aconteça é importante, leitura crítica do mundo, mediada pela palavra que liberta e emancipa o ser humano.

Para ruptura com o estado caótico, em que vivenciamos é preciso a desobediência que desafia, o instituído gerador da paralisia social. Neste espaço do vazio instituído, está o marco significativo de reconstituição da transitoriedade da soberania popular, porque requer a transição no mundo-espaço-tempo do que “a própria lei desconhece”.

Aqui não se trata de destruição da democracia, ao contrário, é o ato de reafirmação do compromisso, com a entrada no movimento da constituição da democracia possível, que “garante o republicano” como protagonismo da inclusão social. Democracia popular, caracteriza-se pela política da governação, que assume o interesse e representação, a serviço da assunção cultural, política e econômica, como criação do povo.

É a participação popular que revitaliza o espaço da democracia. E o amor fraterno, que inclui a dignidade da vida do outro, caracteriza-se como o espaço vital de liberdade para convivência, no estágio do bem viver na terra, como substrato de possibilidade de jorrar “leite e mel” para todos.

É somente no amor compreendido na cicatriz de sua essência, está imanente a tensão e potencialidade da utopia da resistência e recriação da boniteza do mundo para a humanidade. O que mobiliza a prática é o horizonte utópico que produz o sentido a resistência a luta, o desafio, contradição e “limitação do horizonte histórico”. Assinala Freire, “os sonhos são projetos pelos quais se luta”.

O grito de alerta é que diante da realidade do mundo da vida, sociopolítica-religiosa, faz-se necessário tomar posição, porque o ato de ficar no muro constitui uma sensação de estabilidade ilusória, porque não existe a possibilidade de servir a dois poderes ao mesmo tempo com a mesma intensidade.

O fato é que com o vazio, a ambiguidade e oclocracia que se faz presente, pode-se abrir caminho para a democracia privada, imbricada ao conservadorismo religioso, como substrato de sustentação do poder de estado, sucumbido ao caráter privado, que na sua essência refugia o povo no espaço da adaptação da falsa sobrevivência, revestido do nacionalismo simplório.

A lógica do “espírito do império” é buscar o controle, a cerificação e racionalização de tudo, para que ser comercializado e devorado no mercado. Para cativar o desejo da massa, a racionalidade do império investe na “substituição da esperança pela ansiedade do produto mais novo e, assim, anular a ideia de um futuro diferente”.

O rito de passagem para libertação social, ao contrário, “o poder democrático deve ser dinamizado a partir de outra transcendência, a transcendência que se manifesta no excluído, no povo-laos” ( Néstor O. Míguez, 2012).

A democracia participativa é a loucura do mundo contemporâneo, a aposta toma como centro, o confronto entre a homogeneidade e tensão popular, frente a realidade desigual. Realidade que não é homogênea, ao contrário, estrutura-se na diversidade da subjetividade.

Para superação da cultura política que desumaniza a pessoa, carece de aposta na decadência do sistema instituído, que descaracteriza o público, visando a capturarão do desejo, para a adaptação a ordem estabelecida como representação abstrata e desejada para o seu modo de ser e viver. O desafio para reflexão social passa pela construção de uma ética-política, que possa superar a visão de mundo, baseada na ideologia, que confunde política como ação de renúncia da participação popular na condução do rumo da sociedade. A consciência social é condição para ativação da democracia popular.

É o rito de passagem necessário a libertação social, “para além do espirito do império” do poder maligno pandêmico, político e religioso. O tempo urge por uma educação que “consiste no desenvolvimento de um processo autônomo de subjetivação”.

Ato que caracteriza a mediação que “consegue superar o vazio de ser da subjetividade, a liberdade é o único horizonte possível” (Sílvio GALLO, 2009). Neste sentido, o político constitui a sociedade, porque a própria humanidade é política. E o núcleo que constitui socialmente o povo é político. O que diferencia é a representação, a capacidade, a consciência da interpretação e manifestação no espaço social.
O tempo é para esperançar.

(*) Dr. Ademar de Lima Carvalho é professor Universitário na UFR.

8 COMENTÁRIOS

  1. Que bom que viu o artigo, porém não leu com a devida hermenêutica, o que caracteriza o substrato do conteúdo. Fica atento, continua vendo os textos publicados pelo precioso espaço do A tribuana. Professor universitário da ufr e demais univedsidades em Rondonópolis pensam, respeitando o horizonte de cada um teórico de cada um. O diálogo, a laocracia faz bem a humanidade. Paz e bem

  2. Victor, só para tirar uma dúvida aqui. Que liberdade é essa que você defende tanto do capitalismo? E liberdade DE FATO ou a possibilidade de ser livre, mas, como depende de OPORTUNIDADES muito poucos USUFURI DE FATO? Só um pequeno exemplo: somos livres para ir e vir, para ondecwuisermos, MAS …. Também podemos comprar o que é quanto quisermos, os mercados estão cheios de mercadorias, MAS …. Posso comprar um carro “da hora”, MAS …. e de mas em mas… vivemos com que NOS PERMITEM TER (de acordo com o SEU lugar na hierarquia econômica e social). Que bela liberdade!!!!

    • Voce acha o capitalismo excludente, então adota o socialismo onde só os ditadores e sua corja tem acesso aos bens de alto valor, enquanto toda a população fica na miseria. É o nivelamento por baixo que ocorre no bolivarianismo que voces idolatram. O capitalismo é realmente excludente, pois exclui quem não tem capacidade, mérito, esforço, competencia e disposição para o trabalho. Oportunidades de trabalho é o que não falta no Brasil. Ademais, esse papinho de exclusão não funciona comigo, pois nasci em familia pobre e sai desta condição atraves de muito esforço, algo que nunca acontecerá com quem somente vocifera o discurso de exclusão e opressão, e espera a ascenção social promovida pelo estado provedor.

  3. Olá Victor, para ser professor universitário só precisa estudar MUITO, ser inteligente e ter uma visão crítica da realidade. O tempo dos dogmas em que não se podia questiinar os interesses que estavam “por trás” de discursos e práticas políticas, econômicas, sociais, educacionais, entre outras, Graças a Deus, foram superados com o Renascimento, que acabou criando suas próprias ideologias, que agora são questionadas. E assim caminha a humanidade!

    • Ola Wilse. Sei muito bem o que é estudar; passei em um vestibular com concorrencia de 200candidatos/vaga. Você tem razão nos teus argumentos, por isso QUESTIONO o socialismo, tão divulgado pelos professores federais, pois não pretendo viver em um pais com este sistema politico que tolhe as liberdades individuais e transforma o seu povo em miseraveis, em oposição à riqueza dos seus governantes totalitarios. Os partidos socialistas brasileiros, incluindo o PT, adotam o bolivarianismo, doutrina compartilhada pela Venezuela, Cuba e Argentina. Impressiona o fato de alguem ainda apoiar isso.

  4. E ser capitalista, comunista, anarquista, hinduísta, materialista, mecanicista, idealista, tecnicista, oftalmologista, urologista, proctologista, adventista, alienista (ou seria alienado mesmo, caro Machado?), “sociologist”, contabilista… pode, caro Victor? É uma condição determinante para apresentar um projeto e fazer provas e passar num concurso? Fiquei em dúvida diante de seu silogismo mal-acabado.

    • Rodrigo, leia meu texto pausada e atenciosamente, e tente interpreta-lo. Professor de universidade federal poderia ter qualquer umas das caracteristicas citadas por voce, mas é notorio que todos os que escrevem aqui são socialistas. Talvez o motivo seja que estes se caracterizam pela dependencia estatal, aquele dinheirinho facil do contribuinte, que entra mesmo com as reiteradas greves ou com a interrupção do trabalho com a desculpinha da pandemia

  5. É pré-requisito para se tornar professor de universidade federal ser socialista? A teoria da dominaçao ideologica de esquerda das universidades federais, defendida por bolsonaro, está correta e encontra respaldo na UFR, considerando-se os textos de seus professores neste espaço.

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