As condições socioambientais e a estruturação demográfica compõem, dentre os inumeráveis aspectos, um cenário universalmente suscetível para que um país tropical fosse praticamente oposto a tudo que se sabia sobre a linha de contágio e a caracterização do perfil epidemiológico das vítimas no entorno de todo o mundo, fazendo o Brasil se tornar o epicentro de transmissão e de mortalidade. Há quem diga não existir colapso.

Outrora não fosse possível imaginar que os atrasos nas medidas estratégicas de enfrentamento, as apostas em terapias infundadas, a disputa pelo espaço de poder em plena expansão pandêmica e a crise estrutural causariam tamanho estrago, atualmente é possível prever a exacerbação da catástrofe em que podemos chegar se permanecermos na mesma direção de retrocesso.

Não existe meio termo, tão menos brincadeira com o inimigo invisível. O não cumprimento do isolamento social e das medidas sanitárias de saúde básicas, tem como preço a abreviação da vida, isso fica nítido diariamente nos noticiários e boletins médicos.

Assim, vamos nos cuidar e respeitar as regras sociais impostas pelos órgãos de saúde e governamentais na tentativa de preservar nossas vidas, não é o momento de se desesperar, mas de se conscientizar e prevenir. Não existe um único culpado pela ineficiência de quaisquer estratégias de contenção de avanço, não se trata apenas do poder público, trata-se de toda a sociedade, de todos aqueles que fingem estar fazendo e não fazem. Enquanto o inimigo é invisível, a quantidade de vidas perdidas não é. Não são apenas números exacerbados, é vida que não segue.

Diversos são os questionamentos, o cansaço às medidas sanitárias, ao fracasso, a vulnerabilidade social parece estar atingindo o ápice em todos os seguimentos. Profissionais de saúde exaustos, esgotados pela sobrecarga de trabalho, por condições insalubres, pelos óbitos, pela frustração, pela desvalorização, sobretudo em um momento como esse, um cenário de incertezas, apontamentos, questionamentos, agressões verbais e físicas de grupos extremistas que agem como se soubessem de tudo, mas que na verdade, mergulhados na tolice, não sabem de nada. Não é fácil.

Há momentos em que o inimigo parecer ter deixado de ser o vírus, frente a iminência das incertezas acerca do desconhecido, faz com que a idiocracia das redes sociais ganhasse destaque ao confrontar a ciência, encurralando-a num abismo como se essa fosse o inimigo, sendo julgada por aqueles que fantasiam traços de justiceiros cegados pela polarização e vislumbrados desde o fanatismo à alienação.

Fato é: a tensão social permanecerá conturbação constante, é impossível construir e propor soluções que abarquem satisfação coletiva. Escolher entre a vida e a economia, é um embate de resultado é catastrófico. Ante a expansão da Covid-19, numa perspectiva longínqua, talvez isso fosse possível, hoje não mais. É indiscutível que a economia seja fundamental para a existência de uma sociedade, mas, quanto vale uma vida?

(*) Flávio Bispo de Lira é enfermeiro, Especialista em Urgência e Emergência, Mestrando no Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Mato Grosso Câmpus Universitário de Rondonópolis – MT. [email protected] Jucelma Lima Pereira Fernandes é graduada em Pedagogia pela UFR, Especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional pela FIVE e Mestranda no Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Mato Grosso Câmpus Universitário de Rondonópolis – MT. [email protected]

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