A postura da sociedade brasileira frente ao colapso da saúde pública revela as interfaces do abismo social entre crítica e razão, sendo um convite para repensar e reinventar as respostas de problemas complexos, como a precarização e o sucateamento da saúde pública, um processo em decadência há anos.

A guerra sanitária contra um inimigo invisível exige intensivamente todos os recursos da sociedade, tensionada diariamente pela dimensão descontrolada dos impactos epidemiológicos, em meio a um cenário caótico de incertezas, ainda, com um agravante, a expertise consumida por notícias falsas de indivíduos dotados de falsas narrativas que além de criminosa, são um total desserviço à saúde pública.

Dezembro de 2019, data em que surge na província de Wuhan, na China, os primeiros focos de contágios pelo SARS-CoV-2, mais conhecido como coronavírus, causador da doença denominada de Covid-19 que ressignificou nossos hábitos sociais coletivos e individuais. Um inimigo invisível que ataca o nosso sistema respiratório, causando distúrbios nas vias respiratórias com estágios variáveis, que se inicia com sintomas semelhantes à de um resfriado evoluindo até uma síndrome respiratória aguda grave.

Um vírus microscópico, invisível aos olhos, mas notório pelo colapso do qual o luto e os óbitos se avolumam quase que instantaneamente. Chegou silencioso, tomou posse da situação e colocou todos os setores sociais em constante estado de alerta, num cenário desconhecido no qual não se sabe quem será a próxima vítima e nem onde se esconde, tornando a discussão de seus impactos disparidades que revela a lógica perversa de um sistema naturalizado como novo normal.

Esse adversário obrigou o sistema de saúde e o sistema político a adotar o isolamento social como forma de conter o seu contágio em massa, só que infelizmente por ignorância e desrespeito de muitos que considera essa doença gerada pelo vírus, como sendo uma simples gripezinha, a sua proliferação se expandiu e ganhou forças que hora pensamos ser irreversível, apesar dos esforços das autoridades sanitárias, governantes e forças de segurança em conter os desvaneios diante da catástrofe social ocasionada pelo coronavírus.

Frente a tamanha irresponsabilidade de muitos que se aglomeram nas famosas festinhas particulares e, sobretudo, clandestinas, acabam por colocarem em risco suas próprias vidas, vida dos seus familiares e dos demais sujeitos sociais. Além de não acreditarem no óbvio, são esses que contextualizam o montante excedente nas filas dos hospitais, como resultado dessas atitudes, se prolonga a volta do antigo normal, do comércio livre, das aulas presencias, obrigando a comunidade escolar a se submeter as exaustivas aulas remotas que trazem como consequências o aumento da jornada de trabalho dos professores e seu adoecimento, a exclusão daqueles alunos que não tem acesso ou não dominam as ferramentas tecnológicas, entre outros fatores que colocam em questão a aprendizagem significativa que tanto as políticas públicas educacionais discutem.

O ensino no contexto pandêmico é outra fonte de evidências para outro problema crônico social: a educação. As desigualdades sociais, as adaptações e a exaustão docentes pressionados pela naturalização do esgotamento físico e mental, pela performatividade em busca de números para alimentar os índices de desempenho, produtividade e controle de resultados através de ferramentas digitais de acesso remoto sob vigília governamental constante. De repente o mundo estava invadindo sua intimidade, invadindo seu lar por entre seus ombros através de lentes e olhares curiosos.

(*) Flávio Bispo de Lira é enfermeiro, Especialista em Urgência e Emergência, Mestrando no Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Mato Grosso Câmpus Universitário de Rondonópolis – MT. [email protected] Jucelma Lima Pereira Fernandes é graduada em Pedagogia pela UFR, Especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional pela FIVE e Mestranda no Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Mato Grosso Câmpus Universitário de Rondonópolis – MT. [email protected]

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