Apesar do crescimento econômico dos últimos dez anos, Rondonópolis dispõe de diversos indicadores que estão muito aquém do seu potencial

O Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades (IDSC-BR), que é uma iniciativa recentemente lançada pelo Instituto Cidades Sustentáveis e visa oferecer critérios de aferição das metas da agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), aponta que Rondonópolis está classificada com 54,9 pontos em uma escala de 0 e 100, ocupando a 367ª posição do ranking entre 770 municípios brasileiros analisados. A cidade se destaca principalmente nos indicatores de oferta de água limpa e saneamento, energia limpa e acessível, bem como coleta domiciliar de resíduos, serviços de água tratada e de esgotamento sanitário. E por outro lado, ainda precisa avançar em saúde, educação, igualdade de gênero e distribuição de renda, entre outros.

 

 

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Os professores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), Gustavo Santos Wingert, que é discente do Mestrado em Gestão e Tecnologia Ambiental, e Luiz Otávio Bau Macedo, professor do curso de Economia e coordenador do Mestrado em Gestão e Tecnologia Ambiental, explicam que a iniciativa do Instituto Cidades Sustentáveis representa uma ambiciosa agenda a ser cumprida pelas cidades dos 193 países-membros da ONU na década de 2021 a 2030, cujo propósito é promover os três eixos da sustentabilidade: prosperidade econômica, desenvolvimento social e proteção ao meio ambiente.

A agenda 2030 é composta por 17 objetivos a serem alcançados de 2021 a 2030, como erradicação da pobreza extrema, erradicação da fome, saúde de qualidade, educação de qualidade, igualdade de gênero, água potável e saneamento, energias renováveis e acessíveis, trabalho digno e crescimento econômico, indústria, inovação e infraestruturas, reduzir desigualdades, cidades e comunidades sustentáveis, produção e consumo sustentáveis, ação climática, proteger a vida marinha, proteger a vida terrestre, paz, justiça e instituições eficazes, e parceria para a implementação dos objetivos.

Os professores explicam que para alcançar os objetivos os municípios precisam direcionar suas políticas públicas e, assim, o IDSC-BR foi criado justamento para oferecer os critérios de aferição das metas da agenda 2030. A seleção dos participantes do programa congrega o grupo de capitais dos estados, municípios com número de eleitores superior a 200 mil, municípios localizados em regiões metropolitanas e signatários do Programa Cidades Sustentáveis (PCS).

Os municípios são avaliados base em 88 indicadores, oriundos de fontes governamentais quase que sem sua totalidade. A classificação é calculada comparativamente, em relação às metas da agenda 2030, estabelecendo um ranking geral, de acordo com as pontuações dos 770 municípios da amostra. Para os professores, a posição ocupada por Rondonópolis no ranking (367º) não faz justiça ao seu potencial.

Eles argumentam que dentre os objetivos traçados, Rondonópolis se destaca na dimensão ambiental que compreende a oferta de água limpa e saneamento e energia limpa e acessível. Adicionalmente, de maneira favorável, as metas de coleta domiciliar de resíduos, serviço de água tratada, esgotamento sanitário, saneamento ambiental e domicílios com acesso à energia elétrica apresentaram pontuações elevadas.

Mas, por outro lado, a cidade tem grandes desafios a serem enfrentados. Ainda, de acordo com os professores, Rondonópolis precisa alcançar objetivos como erradicação da fome, saúde de qualidade, educação de qualidade, igualdade de gênero, redução das desigualdades, proteção da vida terrestre e a promoção da paz, justiça e construção de instituições eficazes.

Na saúde, os indicadores apontam que a cidade tem problemas quanto à cobertura de vacinação, insuficiência do quantitativo de unidades básicas de saúde e a disponibilidade de equipamentos esportivos. Na educação, Rondonópolis apresenta um percentual muito baixo de jovens de até 19 anos com ensino médio completo e poucos centros culturais, casas e espaços de cultura.

O Município enfrenta ainda, segundo os dados, gravíssimos problemas na área da segurança pública, pois incorre em elevadas taxas de homicídio juvenil, feminicídios e violência contra a comunidade LGBTQI, incluindo mortes por agressão e arma de fogo.

Gustavo Wingert e Luiz Otávio Macedo analisam que, apesar do crescimento econômico dos últimos dez anos, dispõe de diversos indicadores que estão muito aquém aos propostos pelas metas da agenda 2030. Para mudar o atual retrato da cidade, eles indicam que Rondonópolis precisa de uma visão integradora e multidisciplinar da agenda 2030 e que esta seja incorporada como eixo norteador da discussão das políticas públicas, entre a sociedade civil e os gestores públicos.

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