Engraçado, a não ser pela fé, ninguém tem certeza se existe céu, inferno, vida após a morte ou reencarnação, mas o que mais se ouve em velórios é: “ele (a) foi para os braços do Pai”; “ele (a) está em um lugar muito melhor agora”. Trata-se de frases que acalmam aqueles que acabaram de perder um ente querido, mesmo que eles próprios sejam extremamente racionais e não acreditem naquilo que estão a lhe dizer. Naquele momento, a ideia de uma vida eterna significa um alento. Não é hora para questionamentos e discussões filosóficas.

Outra questão interessante é que a maioria das pessoas, quando questionadas, afirmam que têm medo de não ir para o céu ou para um “lugar melhor”, após sua morte. Por isso – sem negar que há pessoas genuinamente altruístas – esforçam-se para garantir sua “vaguinha no paraíso” praticando boas ações, sendo voluntárias em campanhas beneficentes, entre outras atividades dessa natureza. Além disso, estão sempre preocupadas em se confessar e pedir a remissão de seus pecados ao Padre ou Pastor da Congregação Religiosa da qual participam.

Ocorre que, do ponto de vista religioso, Deus, na sua misericórdia, “perdoa [quase] todos os pecados daqueles que estão mortos para o pecado e vivos em Cristo (…) Uma das marcas daqueles que são verdadeiramente salvos é a vontade de ser cada vez mais parecido com Jesus e deixar o pecado para trás. Isso é verdadeiro arrependimento”.

Nessa perspectiva, aquelas pessoas que, em vida, cometeram o único pecado imperdoável, o de rejeitar Jesus como Salvador, após a sua morte, estarão submetidas às penas eternas no inferno, um lugar sem Deus e, por isso, triste, ruim e sem esperança.

Exceto estes extremos e seus desdobramentos, encontram-se as pessoas que assumem de forma segura, firme e tranquila que a vida humana termina com a morte e nada acontece além dela, apenas a deterioração da matéria.

Com quem está a verdade?

Primeiro é preciso questionar se há uma verdade a ser defendida e defendida!

Segundo o Dicionário Online de Português, verdade é um “substantivo feminino. Que está em conformidade com os fatos ou com a realidade”. Mas quando falamos em vida após a morte nos referimos a um fato ou realidade que não há como verificar se há conformidade, a não ser pela fé. E fé “é acreditar em coisas que não se vê, ou seja, independentemente daquilo que vemos, ou ouvimos”. Quanto a afirmar que não há uma alma ou nada nesse sentido que habitaria o corpo e sobreviveria à sua morte, a não ser a putrefação da carne, também não há como comprovar o contrário, afinal quem pode garantir que somos mais ou menos que só isso?

Enfim, as pessoas parecem ter necessidade de dar um sentido à vida buscando-o para além dela e mesmo os mais céticos, às vezes, acabam caindo em contradição e desejando ir para o céu quando morrer!

 

(*) Wilse Arena da Costa é Profa. Doutora em Educação. Palestrante, Escritora e Membro Fundadora da Academia Rondonopolitana de Letras/MT, Cadeira n° 10. Contato: [email protected]

 

 

1 COMENTÁRIO

  1. Fé em Deus é algo tão particular, individual e indivisível que nos torna único com o Ser Supremo e nossas ações aqui na terra, sendo boas, de coração, tanto no dia a dia, no estender de mãos aos mais necessitados, dentro de nossas possibilidades, nossa consciência se encontra em paz. Não considero esses valores para, no final da vida, um encontro com Jesus, como um prêmio, mas um dever como ser humano e proceder dessa maneira é gratificante, nos deixa mais leve e, certamente, boas atitudes, boas sementes, colhemos bons frutos que, aos olhos de Cristo, que morreu por nós e ressuscitou, serão apreciados.Deixar de lado a soberba, ganância e o acúmulo exagerado de riquezas já é o início de uma caminhada de fé, esperança e humildade sem maiores preocupações se vamos ou não para o Céu.Fazer o bem como Jesus sempre fez em sua jornada pela Terra, nos torna mansos de coração e mente.

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