Veio a chuva renovando a vegetação
Pontos isolados de forma parcial
Umedecia o chão
Do imenso pantanal.

Mas cadê os bichos?
As presas do lobo
Não peguei nem carrapicho
Pois foram consumidos pelo fogo.

Ficamos sem teatro
Sem cantiga também
A flora está ferida
Culpa de alguém.

Os Tuiuiús não voltaram
Afugentaram-se daqui
Quantos agonizaram nas chamas
Do alto pé de pequi.

Belas matas fechadas sem veredas
O fogo veio engolindo
Gigante força das labaredas
Ceifando vidas, troncos caindo.

Serpentes em fuga
Em meio ao capim
Sofriam ataque nas madrugas
Ouvindo explosões de estopim.

Romperam noites e dia inteiro
Parecia uma guerra temível
Mas aos olhos dos bombeiros
Debelar, sempre possível.

Viam corpos carbonizados
Onças, tamanduás
Certamente foram alcançados
Sem poder respirar.

Triste, muito triste
Até para se narrar
Imagina em combate para quem assiste
Sem poder resgatar.

 

(*) Francisco Assis Silva é poeta e militar.
Email:[email protected]

 

 

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