Se há algo que o brasileiro gosta de verdade (além de carnaval, cerveja, churrasco, feriado, fofoca, futebol e loteria – não necessariamente nesta ordem) é de um bom carteado. Pelo menos é o que pode ser percebido nas mais variadas regiões do país, do estado e da cidade, especialmente nestes estranhos dias de alienação e de pandemia. E, neste quesito, há opções para todos os gostos: truco, pife, buraco, burro, canastra e bridge – só para começar. Afinal, hoje em dia, há mais de uma centena de jogos de cartas conhecidos, que trazem consigo algumas variáveis, como diversão, investimento, casualidade, estratégia, raciocínio e sorte.

Segundo nossas pesquisas pela Internet, no entanto, não se sabe ao certo onde e quando surgiram os jogos de cartas, mas há indícios de que eles tenham surgido na China, no século X. Quatro séculos depois, os árabes levaram as cartas (conhecidas até então como tarots) para a Europa, onde o baralho oriental (com 56 unidades) já era conhecido. Com o correr dos anos, passaram a existir outras variedades de baralho, como o espanhol, o cigano e o português, mas coube aos franceses, no século XVI, apresentar a sua versão (com 52 cartas), que logo ganhou os quatro cantos do mundo.

Objeto de uso popular há muitas gerações, seja como simples ou valiosas peças de cartão ou plástico, o baralho também faz parte da cultura brasileira desde os tempos coloniais. Graças à sua praticidade de transporte e armazenamento, à variedade de jogos possíveis e à surpresa frente ao desconhecido, não demorou muito para o baralho se tornar popularíssimo no país, convertendo-se pouco a pouco num poderoso exercício mental, numa forma eficaz de socialização e, claro, numa possibilidade de sobrevivência (ou falência) financeira para muitos Brazilians.

A grande vedete dentre os jogos em que o baralho está incluso, porém, é o poker, considerado o jogo de cartas mais popular do mundo. Embora suas origens sejam controversas, acredita-se que ele também tenha surgido na China, chegando à Europa e depois aos Estados Unidos, onde a sua versão made in the USA permite ter duas ou mais pessoas em cada rodada, sendo esta uma prática muito comum nos cassinos de Las Vegas, Monte Carlo e Melbourne, onde muitos milhões de dólares vão e vêm em apostas e mais apostas todos os dias, ou noites.

Em meio a todos esses fatos, o que vale (e muito!) a pena ressaltar aqui é que há inglês (e não francês, mon cherrie!) nas cartas dos baralhos contemporâneos. Caso você esteja na dúvida ou surpreso, dear reader, confira: o A do ás, na verdade, vem de ‘ace’; o J do valete vem de ‘jack’ (também chamado de ‘knave’); o Q da dama ou rainha vem de ‘queen’; e o K do rei vem (of course!) do ‘king’ – ao passo que o coringa (ou curinga) se diz ‘joker’ em inglês, não por acaso o mesmo nome daquela personagem que aparece nas histórias do Batman (com ou sem o seu parceiro Robin).

Como se vê, aprender sobre o vasto vocabulário que envolve este campo do entretenimento é, no mínimo, esclarecedor e surpreendente, principalmente se você estuda ou já estudou a língua inglesa. Afinal, é só no sedutor mundo (real ou virtual) dos card games (jogos de cartas) que os baralhos (deck/pack of cards) podem ter seus naipes (suits, em inglês, representando as quatro estações do ano) nas cores vermelha/preta (red/black), ser chamados de copas, ouros, paus e espadas (hearts, diamonds, clubs e spades, respectivamente), bem como aparecer no formato de corações/taças, diamantes/moedas, trevos/bastões e folhas/espadas, dependendo da época histórica e localidade a que estamos nos referindo.

Quanto às cartas (cards, in English), elas totalizam 13 unidades para cada naipe, indicando as semanas que compõem cada estação (primavera/spring, verão/summer, outono/autumn ou fall e inverno/winter). Numeradas de 2 a 10 (from two to ten), elas podem muito bem ser aproveitadas nas aulas de língua inglesa para ensinar números cardinais (simples ou compostos), assim como em outras atividades recreativas. Outra opção é abordar os verbos shuffle (embaralhar), cut (cortar), deal (dar), bet (apostar) e bluff (blefar), por exemplo.

Por fim, julgamos ser interessante destacar o fato de o Brasil ter uma das maiores empresas do mundo no segmento de baralhos em seu território continental: a Copag (Companhia Paulista de Papéis e Artes Gráficas). Segundo informações do site da empresa, com mais de 100 anos de existência, ela exporta seus produtos para os cinco continentes do planeta, que podem ser encontrados nos maiores e mais conceituados mercados, cassinos e campeonatos do mundo. Que jogada de mestre, huh?

 

(*) Valéria Cristina é pós-graduada em Ensino de Língua Inglesa (UFMT) e professora efetiva da rede municipal de ensino. Jerry T. Mill é mestre em Estudos de Linguagem (UFMT), presidente da Associação Livre de Cultura Anglo-Americana (ALCAA), membro-fundador da ARL (Academia Rondonopolitana de Letras), associado honorário do Rotary Club de Rondonópolis e autor do livro Inglês de Fachada.

 

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