Coronel Adib ficou conhecido na história de Rondonópolis por conseguir, praticamente, acabar com a criminalidade na cidade, na década de 1970 – (Foto: Arquivo)

 

O coronel da reserva Adib Massad, 91 anos, faleceu ontem (3/3) em um hospital na cidade de Campo Grande (MS), onde residia atualmente, vítima de complicações relacionadas a idade.

O velório deverá ocorrer hoje, dentro das normas de enfrentamento a pandemia do novo coronavírus na localidade. O corpo só poderá ser velado por duas horas e com número restrito de pessoas.

Há mais de oito anos, em Rondonópolis, o coronel da reserva Adib Massad foi homenageado pela Polícia Militar, durante uma troca de comando no 4º Comando Regional Sul da PM, que ocorreu no quartel, localizado às margens da BR-364, no dia 18 de maio de 2012.

 

 

————  CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE  ————————————————————————————————

 

 

O coronel Adib, na década de 70, teve uma atuação destacada em prol da segurança pública de Rondonópolis e região, exercendo a dupla função de delegado e comandante de polícia.

Na época, ainda como tenente, ele ficou famoso por promover uma verdadeira varredura contra a criminalidade que assolava a cidade, passando a ser uma das autoridades mais respeitadas pela sociedade e temida pela marginalidade.

“Tínhamos dificuldades e nem sempre alcançávamos os nossos objetivos, mas nos esforçávamos. Muitos problemas eu não estava preparado para resolver, mas tinha vários amigos e companheiros que eram chamados para nos dar apoio.

Por todas as cidades por onde passei, fiz amizades com pessoas de bem, como juízes, promotores de justiça, políticos e outros.

Eram pessoas que nos apoiavam e orientavam o nosso trabalho em prol da segurança da comunidade”, lembrou o coronel da reserva em reportagem ao A TRIBUNA.

 

O coronel Adib relatou que, no ano de 1969, quando chegou para exercer a função de delegado e comandante de polícia em Rondonópolis, o problema maior era com casos de embriaguez.

“Não se podia andar na calçada porque eram bêbados caídos em todo lugar. Os autores de crimes na época eram pessoas vindas de outras cidades e estados, problema este que resolvi com rigor”.

 

O oficial da reserva recordou que, na década de 70, existia a lei do silêncio a partir das 22 horas.

“Para cumpri-la contei com o apoio do prefeito na época, o Hélio Cavalcante Garcia, que nos cedia viaturas para montar patrulhas e fazer valer a lei do silêncio.

Nos finais de semana, enchíamos a cadeia de gente embriagada. Nas segundas-feiras, a frente da delegacia lotava de pessoas para ver os presos saindo da cadeia”.

 

Quando ainda era o temido Tenente Adib, o comandante e delegado dava um corretivo naqueles que eram presos pela prática de algum delito.

“Eu sentava o preso no meio do salão da delegacia e, do lado, o livro de registro de preso.Perguntava o nome, motivos da prisão e mais uma série de coisas. Na época eu tinha um porrete que coloquei o nome de ‘capitão’.

Eu era tenente e perguntava para o preso se ele queria falar com o tenente ou com o ‘capitão’. O detido respondia que queria falar com o capitão, então eu dizia deita aí, quando eu dava umas duas ou três lambadas e o mandava embora.

O corretivo não era por maldade e me ajudou a limpar a cidade”, contou.

 

O coronel Adib recordou que, durante a sua passagem por Rondonópolis, os fazendeiros da região o ajudaram a promover a segurança pública e a redução da criminalidade, dando emprego para muitos desocupados.

 

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here