A crise no Texas é uma lição acerca dos riscos envolvidos com as mudanças climáticas. O aquecimento do polo Norte deslocou uma frente fria gerando nevasca histórica nas regiões sulistas dos EUA.

No Texas, 4,5 milhões de residentes ficaram sem eletricidade e as temperaturas alcançaram, em certos municípios, até -15°C. A infraestrutura de geração e distribuição de eletricidade e o sistema de saneamento básico congelou, pois não estava aparelhado para eventos deste tipo.

Se um estado rico como o Texas não estava preparado, sinaliza a magnitude dos desafios a serem enfrentados com as mudanças climáticas em locais menos desenvolvidos.

Em Mato Grosso, as tendências se relacionam às secas prolongadas, geradoras de fogo e fumaça, intercaladas com períodos curtos de chuvas muito intensas. Frentes frias rápidas seguidas de longos meses de altíssimo calor.

Esses fenômenos são extremamente prejudiciais à saúde pública, tais como doenças respiratórias. Adicionalmente, os impactos sobre a produtividade agropecuária são extremamente negativos. Por exemplo, o atraso no início do período de chuvas impactou o plantio da soja, em novembro, e ocasionará menor produtividade do milho safrinha.

O resultado são preços altíssimos que encarecem os insumos para a produção avícola e suína e, portanto, o custo de alimentação para a população. Todos esses processos tendem se acentuar com o aquecimento global.

A solução desses desafios recai em investimentos em mitigação e adaptação às mudanças do clima. Ações voltadas a frear o processo de aquecimento global, conjugadas com medidas de fortalecimento da resiliência frente aos eventos extremos.

No caso de Mato Grosso, a prioridade deve ser o combate ao desmatamento ilegal, conjugada com incentivos para a preservação de matas nativas. Essencial dar meios de atuação aos órgãos públicos vinculados ao enfrentamento às queimadas e na proteção à fauna e flora.

As iniciativas da sociedade civil também são importantes, especialmente, na conscientização da população e na fiscalização sobre o setor público e empresas.

Por fim, é importante destacar que a “solução” simplista de privatizar ou estatizar investimentos, tais como a geração e distribuição de energia elétrica e de água potável, não é garantia de eficácia frente aos eventos extremos. Os instrumentos de regulação independentes são cruciais, tanto sobre o setor privado como na gestão pública, ao sucesso do combate às mudanças climáticas. A governança coletiva precisa ser fortalecida.

 

(*) Luís Otávio Bau Macedo é professor Associado do curso de Economia da UFR e coordenador do programa de pós-graduação em Gestão e Tecnologia Ambiental UFR. E-mail: [email protected]

 

1 COMENTÁRIO

  1. Senhor Macedo, muito oportuno e preocupante o seu artigo, de modo que hoje em dia os tempos não são iguais aos de 20/40/50 anos passados, pois os acontecimentos atuais pelo mundo são terríveis, avassaladores, destrutivos (tufões, tempestades, terremotos, vulcões, enchentes, avalanches, deslizamento de terras, etc. e etc.) e no Brasil não é muito diferente. Vivemos, em termos de mundo de extremos. Os desmatamentos e os incêndios (na maioria criminosos) na Amazônia legal e no Pantanal Mato grossense; a poluição do ar pelas cidades, a ponto de não podermos respirar ar puro; enchentes, desmoronamentos de morros, destruindo casas e matando pessoas; desmatamentos com a destruição de fontes de água; enormes erosões que são formadas e carregadas para os rios e lagoas, assoreando-os; esgoto in natura e plásticos jogados nos rios e mares; peixes e demais animais marinhos sendo mortos por ingerirem plástico; o horror de uma ilha de lixo plástico existente no oceano Pacífico norte de em torno de 1.6 milhão de km²; com tudo isso acontecendo, a ganância e o “deus” dólar falam mais alto. Falta conscientização, desenvolvimento com responsabilidade.

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