Quando será que nossas autoridades públicas e empresários irão dar aos nossos índios Bororos o seu devido valor?

Até hoje – e olhem que já tenho 67 anos de Rondonópolis, idade de sua emancipação – não vi uma homenagem digna aos nossos Bororos: nem nome de rua, avenida, edifício ou até mesmo um núcleo habitacional. Isto é reflexo da falta de conhecimento histórico de nossa cidade, por aqueles que nos representam. O livro História de Rondonópolis deveria – como deve – ser o “livro de cabeceira” de cada prefeito e vereador. Por falta disso, tenho visto inúmeras ‘homenagens’ que são verdadeiras aberrações…

Os índios Bororos, além de terem sido os primeiros habitantes de nosso município e região, já prestaram relevantes serviços ao nosso estado, ao Patrono de nossa cidade e ao nosso povo; deram importante apoio a Rondon na construção das linhas telegráficas; ajudaram no funcionamento das balsas, no início de nossa cidade; naquela época, muitas vezes serviram de “bombeiros”, ajudando a encontrar pessoas afogadas nos rios Vermelho e Arareau; supriram a cidade com a venda de peixes de todos os tipos; enfim, participaram ativamente do desenvolvimento inicial de nossa cidade.

Pois bem, ao invés de homenagearem os nossos históricos índios Bororos, acharam por bem fazerem homenagem aos índios paiaguás, dando seu nome a um de nossos melhores núcleos habitacionais.

Os índios paiaguás, além de não terem sido radicados em nosso estado – viviam entre São Paulo e o sul de Mato Grosso (hoje Mato Grosso do Sul) –, eram índios nômades, saqueadores, cruéis e até escravagistas; atacavam os homens brancos e outras etnias indígenas apenas para roubar, matar ou escravizar; vendiam os saques de ouro dos bandeirantes e os escravos ao governo do Paraguai.

José Vieira Couto de Magalhães – brasileiro, mineiro, político, militar, etnólogo e folclorista –, foi Presidente das províncias de Goiás, Mato Grosso, Pará e São Paulo; foi um dos homens mais cultos deste país; falava inglês, francês, alemão, italiano e dialetos indígenas, conhecedor profundo das etnias indígenas deste país, fez a seguinte referência aos Bororos:

“Foram os índios mais valentes que eu conheci; eram levados pelos Bandeirantes em suas viagens de Mato Grosso a São Paulo, para defendê-los dos ataques de outros índios – principalmente dos paiaguás –, que sofriam em suas viagens.”

Segundo os Presidentes do Estado de Mato Grosso, os Bororos eram “nômades, bravios e indomáveis”, mas, vejam bem, na defesa de suas terras. Foram pacificados no final do século XIX.

Uma justa homenagem aos nossos índios Bororos já se faz tardia, Senhores Prefeitos, Vereadores e empresários de nossa cidade; queremos ver, no topo de um dos nossos mais elevados edifícios, a expressão Edifício Bororos; queremos, numa bela praça ou num conjunto habitacional, a denominação Praça Bororos, ou Jardim Bororos; tenho convicção de que nenhum “paiaguá” ou qualquer outro indígena está a merecer o nosso respeito e a nossa homenagem mais do que o nosso índio BORORO – primeiro habitante da nossa cidade e da nossa região.

 

(*) Ailon do Carmo é advogado e historiador em nossa cidade; membro fundador da Academia Rondonopolitana de Letras.

 

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