16/02/2020 – Nº 608 – Ano 15

Boa parte de nós é fruto da média da sociedade. E normalmente somos enquadrados nela, permitindo-nos apenas uma pequena banda de oscilação aceitável que obviamente faz parte desse padrão médio estabelecido. Fora dele somos criticados, repreendidos e muitas vezes combatidos socialmente.

Se você já tomou decisões ou mesmo defendeu pontos de vista diferentes daqueles que a maioria do seu círculo social esperava ou defendia, deve ter sentido isso na pele. Fazer algo fora do comum incomoda os demais. Até mesmo aqueles que nada tem a ver com a situação, sentem-se no direito de emitir opinião e querer interferir na sua vida, mesmo não sendo chamados a isso.

A sociedade existe e se organiza por causa disso, mas, ao mesmo tempo, evolui lentamente pelo mesmo motivo. Se dependesse dos que figuram na média, sequer seria capaz de evoluir. Seríamos uma manada pastando.

Enquadrar as pessoas, mantendo-as no seu respectivo quadrado, é papel conferido a sociedade como um todo. Existe e confiamos num imaginário coletivo que orienta isso desde quando nascemos.

A nossa curiosidade e senso de experimentação é tolhida diariamente e por consequência somos amansados e domesticados, como animais que precisam de contenção da rebeldia e instinto. Nos sustentamos desse modo como seres sociais organizados.

Muitas vezes inconscientemente fazemos isso atuando no papel de pais e professores. Continuamos nesse modelo aprendido e internalizado na infância e adolescência, replicando-o, agora figurando como colegas de trabalho, amigos e cônjuges.

Apenas recentemente a sociedade percebeu que a energia e a curiosidade precisam ser direcionadas e não contidas, para que desse modo, possamos criar oportunidades. A sociedade evolui graças em boa medida a pessoas incompreendidas e inquietas que afrontam esse modelo.

Mas como indivíduos, os movimentos e as ideias inesperadas não são tão bem-vindas assim porque mexe com os demais, impelindo-os inconscientemente a reavaliarem sua auto conduta e postura. É uma afronta individual. Muitos se dão conta de que não têm a devida coragem de fazer o que no íntimo até gostariam de fazer.

Para que não se sintam frustrados, repelem, admoestam, censuram e recriminam quem não se contenta com o status quo definido para ele, pelos demais. Mas é graças a esses inquietos que as inovações surgem e a vida não segue o seu ritmo natural. Já que se fosse assim, a nossa expectativa de vida continuaria na casa dos 20 anos, como era no período em nos tornamos sapiens.

A liberdade, o respeito e o reconhecimento talvez sejam os grandes ativos individuais que ninguém obtém sem conquista e enfrentamento. Os vencedores sempre ostentam cicatrizes, já que há lutas no trajeto.

De certo modo, afianço que se você é criticado, inquirido ou questionado nas suas posições deve fazer parte do grupo de pessoas que faz a diferença. Aquelas que fazem o carro andar mais rápido ou numa direção diferente. Orgulhe-se disso.

Gosto da ideia de que ‘apenas o prego que se destaca leva martelada’. Por isso, existe uma maneira segura e simples de não ser criticado: não faça nada de novo, de diferente do esperado ou que você já não tenha certeza da aprovação. Fique na média e no consenso, mesmo que estejam próximos da mediocridade para você.

Infelizmente levamos muito tempo para perceber essa realidade. Por isso, persista e se mantenha fiel a si mesmo e seus instintos, e quando os críticos perceberem que não poderão vencê-lo, começarão a admirá-lo. E em algum momento tenderão a segui-lo.

 

Até a próxima.

 

Eleri Hamer escreve esta coluna às terças-feiras. É empreendedor, Diretor da GoJob Brasil, business advisor, mentor e articulista – [email protected] – www.linkedin.com/in/elerihamer – Originalmente publicado no Jornal A Tribuna – www.atribunamt.com.br

 

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