Como não poderia deixar de ser, visto que sou historiador com várias obras sobre a História de Rondonópolis, venho manifestar minha total solidariedade aos ressonantes clamores da população de nossa cidade, em especial aos Professores locais de todos os níveis – destaque para os da UFMT/UFR –, contrários ao seguimento da estrada municipal que vem ameaçando a destruição da histórica “Fazenda Velha”, ex-residência do Patrono de Rondonópolis, Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon.

Segundo os alfarrábios da História de Rondonópolis, bastando lê-los, em 1902 veio para cá o fazendeiro goiano Manoel Conrado dos Santos. Estabeleceu-se à beira do Rio Vermelho, na localidade hoje se situa o Casario, e passou a convidar parentes e amigos para esta região. Por volta de 1910 o vilarejo já contava com bom número de famílias assentadas, e passou a se chamar Vila Nova.

Em 10.08.1915, com cerca de 60 famílias, foi oficializada pelo Governo do Estado como povoado, com área de 2.000 hectares, passando a receber oficialmente o nome de “Povoação do Rio Vermelho”. De se lembrar que, à essa época, as casas eram todas de barrote, cobertas com folhas de coqueiro babaçu, espalhadas desordenadamente pelo matagal existente no lugar, conforme foto publicada por Orozimbo Nonato, em sua obra “Águas Termais de Mato Grosso”, em 1917

Esse fato foi confirmado pelos missionários Alexandre Rattray Hay (Alex Hay) e seu pai Rev. John Rattray Hay Jowett, em suas obras “Saints and Savages” (Santos e selvagens) e “Where Frontiers Are Yielding” (Onde fronteiras estão expandindo). Eles estiveram por aqui em 1918, em trabalhos de catequização de índios:

“Quando cheguei a Rondonópolis, em 1918, a cidade era apenas uma estação de telégrafo com meia dúzia de cabanas na floresta”. Agora é uma cidade com 1.500 casas e está em franco desenvolvimento”. Alex Ray retornou a Rondonópolis em 1953.

Ocorreu que, com a descoberta dos garimpos diamantíferos de Guiratinga, na década de 1910, e de Poxoréu, na década de 1920, a população da “Povoação do Rio Vermelho” foi se esvaziando gradativamente, chegando apenas a 25 famílias em 1925, e ao cúmulo de se reduzir a apenas 3 famílias, em 1930, conforme o Bispo Dom Wunibaldo Talleur.

Diante desse quadro assustador, Rondon tomou a iniciativa de “reconstruir” o vilarejo, que em 08.10.1920, por iniciativa do então Deputado Otávio Pitaluga, já havia passado a se chamar Rondonópolis. A partir de 1945, Rondon convidou parentes e amigos de todas as partes a virem para cá, reconstruir a nossa Rondonópolis. A seguir, Rondon contratou uma empresa imobiliária de São Paulo – Companhia Imobiliária Noretama de Colonização, de Tertuliano Albergaria, para incrementar a reconstrução de nossa cidade. Foi por essa época, com toda certeza, que a “Fazenda Velha” foi construída por Cândido Rondon, e passou a ser sua residência, quando andava por estas bandas. Isto já faz o vetusto período de 80 ANOS!

Essa “Fazenda Velha” é, portanto, um dos mais expressivos patrimônios históricos de Rondonópolis, em face do que deve ser recuperada e preservada, para conhecimento da população presente e da posteridade – a não ser que o Prefeito José Carlos do Pátio queira ver seu nome maculado pela população e pelos Historiadores de hoje e da posteridade, como “o Prefeito que destruiu o maior patrimônio histórico de Rondonópolis”: a casa que foi residência do Patrono da Cidade, Marechal Rondon – a FAZENDA VELHA…

 

(*) Ailon do Carmo é Historiador e poeta, e membro fundador da Academia Rondonopolitana de Letras.

 

 

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