O atual cenário de isolamento social para conter a proliferação do covid-19, uma doença infecciosa causada pelo vírus (SARS-CoV-2), popularmente conhecido como coronavirus, alterou de forma significativa a vida de toda sociedade e impactou os mais diferentes campos (econômico, educacional, religioso, etc.). E em referência a esses impactos causados pela pandemia, toda sociedade se viu obrigada a modificar seus hábitos cotidianos, de tal maneira que nos levou a reconsiderar a forma que vivemos e convivemos coletivamente. Ou seja, os reflexos da pandemia atingiram a todos (as) de tal forma que as mudanças se tornaram algo necessário e primordial para se conseguir viver e sobreviver em meio ao cenário pandêmico no qual nos encontramos.

Desde então, as instituições de educação tiveram que se adequar e reconsiderar a maneira da qual seria mais viável na oferta do ensino a sua clientela escolar. Assim, tiveram que se adaptarem ao novo real, de tal forma a desenvolver um verdadeiro malabarismo, para atender ou pelo menos tentar atender as demandas pedagógicas, sociais e individuais. E partindo do impedimento do ensino presencial, o ensino remoto surge como um caminho alternativo e emergencial, que acabou por tornar algo estendido por um longo período, no intuito de diminuir os transtornos desfavoráveis ao processo de ensino aprendizagem.

Diante desse quadro de impossibilidade de convívio coletivo, devido ao covid-19, todas as instituições educacionais, tiveram que reinventar, reorganizando-se de um ensino presencial para remoto, em que a aprendizagem do uso de tecnologias, plataformas e aplicativos foram o ponto alto das comunicações. Nestas condições, as instituições de ensino, os professores e educandos, foram obrigados a adotar as aulas remotas mediadas pelas ferramentas digitais e tecnológicas, sem ao menos ter passado por um preparo qualificatório e preparatório. Com isso, os desafios foram surgindo, já que em sua maioria, foram preparados para darem e terem aulas presenciais.

Neste sentido, as aulas remotas tiveram que ser acatadas por todas as unidades escolar, e colocou os professores diante do dilema de lidarem com algo até então não obrigatório e que agora passaria a fazer parte da sua prática docente, e por um período que ainda não é possível se limitar. Partindo deste ponto de vista Moran (2007, p.9), descreve que: “[…] Nossa vida interligará cada vez mais as situações reais e as digitais, os serviços físicos e os conectados, o contato físico e o virtual, a aprendizagem presencial e a virtual […]”.

Evidentemente que todas essas transformações no campo educacional, levou a comunidade escolar a se adaptarem a atual forma de ensinar, ou pelo menos tentar a se adaptarem, pelo menos enquanto esse cenário pandêmico persistir. Diante isto, os educadores se viram obrigados a se acostumarem com as atuais maneiras de ensinar, de avaliar, de interagir e de mediar o conhecimento. Com isso, seu papel de educador terá muito mais relevância, pois terá uma nova função que ultrapassa o seu oficio de mediador do saber, agora terá que ser um orientador e motivador dos educandos, provocando-os a ser um pesquisador na buscar pelo conhecimento.

Neste cenário de mudanças contínuas, o professor se viu obrigado a reaprender, replanejar e a lidar com as mais diferentes ferramentas digitais que agora passariam a ser seus instrumentos auxiliares na sua ação pedagógica, bem como a desordenança em relação ao atendimento aos discentes, que agora não tem mais nem data, dia e nem hora marcada para acontecer, já que tiveram suas rotinas profissionais e particulares totalmente modificadas em razão das várias de horário que cada aluno tem para tirar dúvidas, fazer o retorno das atividades, entre outros fatores desfavoráveis que o ensino remoto apresenta. Nesta mesma vertente, Moran (2003, p.39), afirma que: “a educação online está em seus primórdios e sua interferência se fará notar cada vez mais em todas as dimensões e níveis de ensino.”.

Pensando desta forma, e não tendo alternativa em tempos de pandemia, as aulas remotas representa uma alternativa viável. Mas por outro lado, é necessário que os discentes tenham acesso e um conhecimento prévio das ferramentas digitais e possuir acesso à internet, para que só assim tenham acesso a aprendizagem que o ensino remoto disponibiliza. Já que durante as aulas, é notável as dificuldades tanto dos docentes, quanto dos discentes em relação a internet oscilando, o que o tira do ar por diversas vezes, ao domínio das ferramentas digitais ou até mesmo ao compartilhamento dos conteúdos (slides, tela do computador, etc.) a serem trabalhados.

Vale lembrar também, que muitos dos alunos não possuem celulares e internet, uma vez que, muitos deles utilizam o celular dos pais ou responsáveis, que passam o dia inteiro fora de casa, devido ao trabalho. Isso dificulta o acesso as aulas e conteúdos disponibilizados nas plataformas digitais ou enviadas via WhatsApp, ficando dessa forma somente com as apostilas impressas que são ofertadas aqueles que se encontram nessas condições de difícil acesso à internet.

Outro fator relevante que vem sendo notado mediante as aulas remotas, está relacionado a interatividade e socialização que se tornaram uma prática mecanizada mediada pelos meios tecnológicos, o que fez das aulas dialogadas em algo centrada mais no professor do que no aluno, uma vez que devido ao fato do cansaço mental, psicológico e físico que essas aulas causam, por exigir uma maior concentração. Tem também a problemática do uso contínuo dos fones de ouvido, ficar na frente da tela do computador/notebook ou celular. Sobre este ponto de vista, Papi e Martins (2019, p. 43), cita que: “uma boa aula é como uma refeição: quanto mais atraentes estiverem os pratos que você, cozinheiro-professor, dispuser sobre a mesa, mais os alunos desejarão saboreá-los”.

Diante isto, podemos dizer que a pandemia trouxe mudanças significativas tanto para os professores quanto discentes, já que o professor também possui inúmeras dificuldades em lidar com as aulas remotas, como os discentes. Então como preparar uma aula mais dialogada e interativa, se essa transição das aulas presenciais para as aulas remotas, ainda é uma novidade pra quem estava acostumado realizá-las presencialmente. Isso demonstra que ao mesmo tempo que o ensino remoto contribui, ele também traz consequência negativas, principalmente no que se diz respeito a formação continuada do professor pesquisador.

Enfim, o ensino online é uma modalidade de ensino que veio para tentar suavizar a ausência das aulas presencias, no entanto, os seus reflexos na prática do docente é notável. Uma vez que, no modelo convencional de ensino, o uso de algumas ferramentas digitais era necessário, para se ministrar aulas mais dinâmicas e significativas, entretanto, com o novo “normal”, essas ferramentas se tornaram algo obrigatório e fundamentais para se conseguir dar aula.

 

(*) JÉSSICA LORRAYNE ANANIAS DA SILVA é mestranda em Educação/UFMT em estágio de transformação para UFR, professora da rede municipal de ensino da cidade de Rondonópolis-MT. [email protected]
JUCELMA LIMA PEREIRA FERNANDES é mestranda em Educação/UFMT em estágio de transformação para UFR, professora da rede municipal de ensino da cidade de Rondonópolis-MT. [email protected]

 

 

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