Aulas suspensas, estudantes em casa, e os professores? Ah, estes estão muito preocupados com tanta demanda das instituições para adaptar todo o planejamento presencial às aulas online. E não é só isso, a falta de familiaridade com o mundo virtual trouxe mais dor de cabeça. Os docentes se queixam que não houve (ou muito pouco) treinamento/orientação para esta mudança e estão se virando como podem. Os docentes tiveram que se adaptar ao novo cenário e fazer uso de outras tecnologias. Habituados às aulas presenciais, tiveram que se readequar ao ambiente online e as ferramentas disponíveis para facilitar o ensino acabam, muitas vezes, tornando-se um estresse à parte. O acúmulo de tarefas, a necessidade de adquirir novas habilidades, a dificuldade de se desligar do trabalho, dentre outros fatores, levam a uma sobrecarga que pode acarretar em depressão, crises de ansiedade ou na Síndrome de Burnout.

Além da preocupação com a saúde e o stress causado pelo home office e distanciamento social, as aulas online, para as quais os educadores não estavam preparados, acrescentam mais tensão aos educadores. Por isso, além das iniciativas que trabalham competências socioemocionais entre estudantes, incentivando que reflitam, discutam e externalizem suas emoções, também é necessário implementar ações semelhantes que cuidem da saúde mental dos professores. Alguns estudos apontam que a síndrome já acomete inúmeros profissionais da educação há anos. Os desafios impostos à profissão pela pandemia da Covid-19 podem aumentar esses casos. Carinho e cuidado com educadores são de extrema importância pois eles são uma referência e ponto de apoio para os alunos. Sabemos que muito do aprendizado está ligado às emoções. Se o educador não estiver bem, ele não conseguirá ensinar, acolher e perceber a necessidade de cada aluno. O momento é de sobrecarga para eles. Então devemos ter a preocupação de cuidá-los para que possam ‘estar inteiros’. É fundamental que tenham todos os recursos para passar bem por esse momento, para que continuem fazendo seu trabalho.

Nosso foco é cuidar de quem cuida, para que os serviços prestados à população sejam cada vez melhores e mais adequados e o nosso profissional seja realmente respaldado com o cuidado da saúde dele.

Ficamos muito fragilizados. Não temos culpa, não tem como culpar alguém por uma pandemia, mas parece que absorvemos essa responsabilidade e culpa.

 

(*) Sandra Maisa Pina Borges, Aridinar Alves Ferreira e Renata da Penha Coelho Mata são professoras da rede municipal de ensino

 

 

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