Expectativa de melhorias perceptíveis no primeiro ano de concessão do Aeroporto de Rondonópolis não se confirmou entre os usuários – (Foto: Divulgação)

 

O que era expectativa tem virado, por enquanto, frustração. Depois de um ano sob a administração da iniciativa privada, o Aeroporto de Rondonópolis ainda não conseguiu apresentar uma evolução perceptível aos usuários, seja da aviação executiva ou da aviação comercial.

Nesta segunda-feira (30/11) faz um ano que o aeroporto passou a ser gerido pela iniciativa privada. A grande reclamação é que as taxas aumentaram, mas as melhorias na estrutura aeroportuária e nos serviços estão aquém do que a população esperava.

O resultado é que já tem gente com saudade da época que o espaço era gerido pela Prefeitura de Rondonópolis. O engenheiro florestal Denizar Novais possui um hangar no Aeroporto de Rondonópolis e conhece há muito tempo o funcionamento do local. Para ele, a gestão privada não melhorou em nada os serviços aos usuários.

“Aumentaram as taxas e não aumentou a qualidade dos serviços.

Virou uma empresa arrecadadora. Eles não mostraram a que vieram ainda”, analisou.

 

Denizar destaca que é preciso oferecer viabilidade para que a aviação executiva atue no aeroporto, estando disponível aos usuários 24 horas por dia. No entanto, observa que o telefone de atendimento aos usuários não funciona para os agendamentos de pousos e emergências e ainda não contam com apoio de rádio em tempo integral.

 

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“Só tenho ouvido reclamação aqui”, externa ele, pontuando que também não viu avanços na aviação comercial, que continua com um único voo para Campinas (SP).

 

O piloto executivo Helton Becher, por sua vez, atesta que a situação do Aeroporto de Rondonópolis só piorou nesse período de gestão pela Centro-Oeste Airports (COA), concessionária que assumiu a gestão do espaço. Ele pontua que a empresa assumiu a gestão do local sem ofertar a estrutura de operação adequada. Inclusive, afirma que o espaço aeroportuário ficou no começo do ano quase seis meses sem o serviço de roçada na vegetação, gerando riscos a todos.

“A taxa de pouso e decolagem dobrou”, aponta.

 

Com a entrada da pandemia, Helton Becher diz que os pilotos foram surpreendidos com uma nota informando que a operação para aviação executiva estaria disponível apenas das 7h às 17h e, com muito custo, conseguiu-se manter esse horário das 6h às 18h. Relata que teve ocasião que precisou fazer operação à noite no aeroporto, mas a administração criou resistência para ofertar o balizamento.

“É um serviço cobrado e, mesmo assim, criaram impedimento”, reforça.

 

“Antigamente, com a Prefeitura, o próprio guarda ligava o balizamento em qualquer horário”, continua.

 

No começo do ano, em uma situação que chamou a atenção, aeroporto ficou meses sem a roçada da vegetação junto às pistas e estruturas – (Foto: Arquivo)

 

Helton atesta que até o serviço de rádio de meteorologia não está sendo mais disponibilizado para aviação executiva, sendo mantido apenas no horário do voo comercial. Ele relata que, mesmo na aviação comercial, não teve avanços com a nova gestão, permanecendo um único voo e sem ampliação de horários. Também não percebeu investimentos no terminal de passageiros.

Entre os usuários comuns, a percepção quanto à gestão do aeroporto pela iniciativa privada também não mudou em relação à gestão pública. O jornalista Robson Morais, por exemplo, relatou à reportagem que fez uso do Aeroporto de Rondonópolis no final de outubro deste ano e que não percebeu melhoras técnicas em relação ao que era antes. Em termos de conforto na sala de embarque, diz que até houve certa melhora.

Robson Morais explica que agendou nessa ocasião um voo partindo de Rondonópolis, mas que o piloto não conseguiu pousar na cidade devido ao mau tempo e o voo foi cancelado. Apesar disso, pondera que os passageiros demoraram ser avisados do problema. Ele teve de seguir para Cuiabá, onde passou a noite e conseguiu pegar o voo para Campinas depois de 24 horas do horário inicialmente marcado.

O jornalista repassa que não imaginava passar por esse estresse característico do passado do Aeroporto de Rondonópolis agora com a gestão da iniciativa privada. Além do estresse do cancelamento do voo, Robson sentiu falta no aeroporto de um local para comprar comida, como uma lanchonete que havia antes. Ele conta que ficou até as 23h no aeroporto, sendo que o voo estava marcado para as 17h, sem essa estrutura de alimentação.

A Centro-Oeste Airports ganhou o processo de concessão para administrar os aeroportos do Bloco Centro-Oeste, formado por Várzea Grande/Cuiabá, Rondonópolis, Sinop e Alta Floresta, pelos próximos 30 anos. Vale observar que a nova concessionária conta com a expertise da Socicam, que já atua no Brasil há mais de 40 anos na gestão de terminais de passageiros rodoviários e urbanos.

 

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