Segundo a Base Nacional Curricular Comum (BNCC), documento do Ministério da Educação que norteia o ensino no país, a educação infantil tem como objetivo principal promover interações e brincadeiras, por meio das quais as crianças se desenvolvem emocional e cognitivamente. Ou seja, a palavra de ordem é ESTIMULAR! Desde o seu nascimento, a criança está formando várias habilidades que serão fundamentais para o aprendizado pelo resto da vida escolar. Entre elas, o desenvolvimento motor, trabalhado na primeira infância com atividades como correr e pular. Estamos falando aqui da movimentação física intensa, e desafios como encaixar formas, equilibrar coisas, contornar obstáculos, jogar bola e etc.

Para uma criança pequena aprender, é necessário interagir com o corpo todo. Não há, portanto, na perspectiva das aprendizagens, a menor possibilidade de aprendizagem sem interação, que implica em toque, contato, exploração, elaboração de hipóteses, descobertas, sentimentos, afetos, emoções, conflitos, partilha, junto a diferentes parceiros, outras crianças, adultos e diferentes linguagens, brincadeiras, pintura, modelagem, desenho, música, dança, literatura, culinária, exploração da natureza, higiene, alimentação, regras, combinados, estruturação de rotinas, entre tantas outras, contudo, este não é o nosso cenário atual.

Vivemos dias de muitas incertezas, as crianças estão dentro de casa, as aulas são feitas a distância e a rotina está completamente alterada. A pandemia, além de trazer risco à saúde física, tem trazido impactos negativos principalmente à saúde mental, afetando todas as idades. Nesse momento, as crianças merecem ainda mais atenção, pois estão em pleno desenvolvimento físico e cognitivo, que necessita da troca com o outro. Já apontado por especialistas, as crianças também estão sob forte estresse causado pela ausência de colegas de escola e também demandam ainda mais atenção dos familiares.

Por outro lado, é preciso reconhecer os esforços realizados pelos professores para organizar atividades durante esse período emergencial, para que as crianças pudessem seguir com uma rotina diferenciada, mas que, neste momento é essencial. O segredo é fazer a criança pensar, sendo um sujeito que faz parte de um time e não um objeto a ser manipulado ou comandado. Temos o desafio de nos encontrarmos a distância, conectados por um fio invisível. Teremos um desafio novo ao retornarmos as aulas presenciais, nosso reencontro, não será uma readaptação, um retorno de férias, muito menos um dia após o do feriado, isso tudo nos exigirá “um mundo aberto” ao pulsar da vida. Não saberemos como iremos lidar com este novo cenário, porém vamos redescobrir a melhor maneira de tudo se encaixar ao novo “normal” que está por vir.

 

(*) Fabiana Alves Andrade, Josiane Cristina de Jesus Aguiar e Marlene de Almeida Leite, são professoras da Rede Municipal de Educação de Rondonópolis

 

 

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