A reação da população e de autoridades contra a atitude do Governo do Estado em desativar 10 leitos de UTIs exclusivos para pacientes com Covid-19 no Hospital Regional de Rondonópolis demonstra o quanto decisões como estas, que afetam diretamente a vida das pessoas, precisam ser analisadas com cuidado e decididas por meio do diálogo com os afetados.

Não há como compreender a diminuição do número de leitos de UTI quando os níveis de ocupação estão há mais de três meses acima até mesmo dos leitos disponíveis e sem expectativas, no momento, quanto a redução de pacientes que necessitam de tratamento intensivo.

É admissível, por outro lado, que o Governo do Estado possa transferir os leitos de UTI para pacientes com Covid-19 para a Santa Casa de Misericórdia, desde que estes estejam devidamente instalados e a unidade de saúde contratada para ofertar o serviço.

Mas incabível, por outro lado, simplesmente, desativar 10 leitos que atendem pacientes de cerca de 19 municípios com a promessa de um dia, ainda sem definição, ativar em outra unidade de saúde.

Vidas não esperam. Aqueles que dependem exclusivamente do SUS, a maioria da população, precisam ter o direito de tratamento adequado garantido. Não se pode esperar que pessoas percam a vida por falta de um leito de UTI ou sendo transportado para outras cidades do Estado.

A justificativa para a desativação dos leitos também não é compreensível. É claro que já está na hora das cirurgias eletivas, que foram suspensas no início da pandemia, voltarem a ser realizadas pelo Hospital Regional, afinal pacientes com outras enfermidades também devem ter acesso à saúde, mas não se pode, para isso, deixar pacientes graves com Covid-19 sem assistência adequada.

Na saúde é importante que ações sejam muito bem pensadas, pois decisões equivocadas podem ocasionar perdas irreparáveis.

Ponto para políticos e demais autoridades que buscaram evitar o pior e ponto para o Governo do Estado em voltar atrás. A reação contrária foi rápida e por agora os leitos estão garantidos, mas é importante que todos continuem atentos.

 

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