Era o sol do meio-dia e tinha um furdunço na praça central. Abri alas, e cheguei perto do teste que faziam com o ovo no asfalto quente. A frigideira antiaderente, quente pelo calor do revestimento da rua e o sol a pino cozia, fritava ou assava as bordas da clara.

A gema, alaranjada e arredondada parecia não sentir o abrasador abraço calorífico que se avizinhava. Eu, cansado de não fazer nada, mas já suado pelo vento quente, que nos atacava por todos os flancos, decidi não esperar para ver se cozeu ou não.

(*) Hermélio Silva é escritor e membro fundador da Academia Rondonopolitana de Letras, cadeira número 6

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