Diversidade é um substantivo feminino que caracteriza tudo que é diverso, que tem multiplicidade. Pois bem, o Brasil é o país da “megadiversidade”: cultural, biológica, étnica, linguística, de gênero, religiosa, entre outras.
Adversidade, por sua vez, pode ser compreendida como uma reação ou resposta do (s) ser (es) humano (s) à diversidade.

Tal reação só é possível porque os seres humanos são os únicos que têm consciência de sua própria existência, bem como de sua própria capacidade de refletir e agir sobre ela, de um modo ou de outro e, obviamente, suas ações e reações sempre acarretarão consequências negativas ou positivas para si mesmo e para o meio circundante.

Dessa forma, da convivência entre “diferentes”, seja lá de que tipo ou de que natureza for, é muito provável que adversidades se farão presentes, ou seja, haverá problemas, contrariedades, dissabores, obstáculos, oposições, impedimentos, tornando as relações entre as pessoas um tanto quanto complicadas.

Considerando, pois, a realidade brasileira, seria possível afirmar que a diversidade é um fenômeno negativo? Uma vez que a diversidade é uma de suas características mais marcantes, que leva, inevitavelmente, a adversidades, ou seja, a transtornos e percalços em todos os âmbitos do contexto histórico, ideológico, social, científico, educacional, ambiental, tecnológico, cultural, e econômico?

NÃO! Não devemos fazer uma análise simplista de um problema tão complexo. Se assim fosse, estaríamos defendendo que a diversidade não deveria existir, isto é, que tudo deveria ser igual!

Mas como assim?

Dá para imaginar um mundo em que todas as pessoas fossem exatamente iguais (Como? Brancas de olhos azuis)? Pensassem igual (qual o melhor pensamento para ser o único)? Agissem igual (como)? Que o mundo natural contasse com apenas uma espécie (qual)? De uma só cor (qual)?

Penso que não!!

Afinal, se o mundo só nos encanta, nos emociona e nos traz saúde, alegria e felicidade por sua diversidade, porque iremos nos contrapor à adversidade que dela decorre, se a mesma nos desafia ao debate, à reflexão, a superar nossos limites, a sermos melhores a cada dia, a reconhecer no “outro” nossa própria força, pois é na alteridade que nos constituímos em quem somos?

Negar a diversidade e as adversidades dela decorrente, portanto, é uma forma de velar, dissimular, encobrir a realidade, dificultando o processo de inclusão cultural e de gênero de “diferentes” na política, nas empresas, nas instituições, em particular, nas instituições educacionais, nos relacionamentos, enfim, na sociedade em geral.

E mais, reconhecer que o Brasil é o país da “megadiversidade”, como já foi dito e que, por isso, as adversidades são inúmeras, pode ser o estopim para compreendermos que diferença não é sinônimo de deficiência; que todos têm o mesmo direito de ter falar, desde que com respeito; se formos fazer comparações, devemos fazer em relação a nós mesmos, não com os outros e devemos sempre nos esforçar para ser um exemplo para os demais.

Um reconhecimento que pode, também, nos chamar à responsabilidade com todas as questões que envolvem essa problemática, incluindo, o que diz respeito à defesa do equilíbrio ecológico.

Afinal, a diversidade dos seres vivos, incluindo as espécies vegetais e animais, os ecossistemas e a variação genética, são fundamentais para a sobrevivência das espécies, incluindo da espécie humana, e são a base da nossa vida no Planeta.

(*) Wilse Arena da Costa, Profa. Doutora em Educação. Palestrante, Escritora e Membro Fundadora da Academia Rondonopolitana de Letras/MT, Cadeira n° 10.

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