A Polícia Federal (PF) voltou a agir, ontem (24), para inibir a venda de diamantes extraídos ilegalmente da Terra Indígena Roosevelt, na divisa entre Rondônia e Mato Grosso.

Homologada em 1991, a reserva ocupada por grupos da etnia Cinta Larga e Suruí costuma ser apontada como uma das potenciais maiores reservas de diamantes do mundo. E há tempos é alvo da cobiça de garimpeiros e madeireiros.

 

 

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Cerca de 150 agentes federais participaram da Operação Crassa, deflagrada nas primeiras horas da manhã, para cumprir 53 mandados de busca e apreensão expedidos pela 3ª Vara Criminal da Subseção Judiciária de Rondônia. Os alvos dos mandados judiciais são garimpeiros, lideranças indígenas, comerciantes e intermediadores.

A Polícia Federal deflagrou ontem a Operação Crassa contra exploração ilegal de diamantes na Terra Indígena Cinta Larga e na Reserva Roosevelt, na divisa entre Rondônia e Mato Grosso – Foto – Divulgação)

Os mandados judiciais estão sendo cumpridos em Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Piauí, Rondônia, Roraima, São Paulo e no Distrito Federal.

O delegado da PF, Márcio Lopes, explicou que a investigação do caso começou há cerca de dois anos.

“A operação [de ontem] visa desarticular a organização criminosa que atua há décadas na exploração de diamantes na reserva Roosevelt. A investigação aponta que essa organização atua em núcleos que cada um tem o seu papel crucial para o bom desempenho da atividade criminosa”.

“Importante mencionar que o papel das lideranças indígenas, nessa atuação da organização criminosa, consiste em autorizar que garimpeiros e financiadores do garimpo explorem a área da reserva. Não é possível a entrada de garimpeiros na reserva sem a permissão da liderança indígena, que são remuneradas ou em pecúnia ou propriamente com pedras de diamantes”.

Segundo a PF, todos estão envolvidos em um esquema ilegal que a corporação investiga desde 2018, quando prendeu em flagrante três pessoas que transportavam valiosos cristais. Eles admitiram ter sido extraídos do interior da terra indígena.

Além de autorizar a apreensão de documentos e outros elementos probatórios em endereços residenciais e comerciais ligados aos investigados, a Justiça determinou o sequestro de bens imóveis de alguns dos suspeitos.

A PF disse que, ao longo da investigação iniciada em 2018, reuniu provas que apontam que os investigados cometeram os crimes de usurpação de bens da União, formação de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Ainda de acordo com a PF, os diamantes extraídos ilegalmente da reserva indígena são vendidos, ilegalmente, tanto no mercado nacional, quanto no exterior.

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