O ano de 2020 iniciou-se sombrio porque na Europa um vírus mortal se espalhava rapidamente e sabíamos que muito em breve ele chegaria ao Brasil.

O mês de março chegou e junto o coronavírus também, deixando toda a população brasileira assustada.

Eram muitas informações desencontradas e os governantes que deveriam dar sabias orientações aplicavam o terrorismo e pânico ao dizerem: fiquem em casa, não saiam por nada, sem se importarem com as condições territoriais e econômicas do nosso imenso país, com aqueles que vivem em minúsculos apartamentos ou nas favelas.

Não demorou para que a pandemia levassem muitos políticos sem escrúpulos a aproveitarem da situação para tentar tirar o presidente do país do poder. Todos os países viviam a mesma situação, mas com uma diferença, havia união entre os governantes em prol do mesmo objetivo.

Aqui eram momentos deprimentes, os meios de comunicações só falavam em mortes, desemprego e tristezas. Foi assim que o mês de agosto chegou com temperaturas ultrapassando aos 40 graus e umidade do ar abaixo dos 10%.

Uma estiagem com mais de três meses sem chuvas levando assim a grandes incêndios que tiveram início no Pantanal do MS e se alastraram para o Pantanal do MT. Foram dias terríveis onde os bombeiros, brigadistas, fazendeiros e voluntários lutavam dias e noites tentando conter o fogo e sem resultados.

Outros incêndios começaram em outros pontos nas fazendas e pequenas propriedades também levando destruições por onde passava e foi assim que vimos o fogo entrar em nossa propriedade e ir devorando tudo.

Lutamos dias e noites para conter e nada. Ele só avançava cada vez mais como um desafio ao homem mostrando o seu poder de destruição. Vi tanto sofrimento naquelas pessoas transnoitadas, tostadas e com os lábios sangrando, mas não desistiam.

Foram momentos de luta e orações. No sexto dia foi possível respirar aliviados, mas depois de ver quase tudo queimado. Em seguida já partindo para ajudarem o vizinho, porque o fogo havia passado para a sua fazenda.

Apesar de tudo pude constatar a parceria que existe entre os homens do campo. São solidários uns com os outros nesses momentos, porque sabem que o fogo precisa ser contido a qualquer custo.

No dia seguinte caminhei pela propriedade e chorei ao ver a desolação dos pássaros e animais. Os animais caminhavam de um lado para outro sem saber o que comer. Os pássaros voavam baixo talvez para verem se tinha algo que lhes servisse de alimento.

Pensei nas abelhas, nos ipês que estavam floridos, na vegetação, nos insetos e nas flores em gerais que foram consumidas pelo fogo.

À noite vi em um noticiário que a Chapada dos Guimarães estava queimando. O fogo logo se alastrou e já não conseguiam contê-lo. Este ano o fogo chega tão forte e domina em poucos instantes.

Em seguida o Pantanal começou a queimar novamente, pior do que antes. Todos os dias assistimos pelos meios de comunicações a destruição da fauna e da flora e junto os animais que morrem queimados ou que estão morrendo de sede. Que ironia do destino. Os animais do Pantanal morrendo de sede!

Vivemos momentos difíceis. Parece que todo o nosso MT está queimando e a fumaça tomando conta das nossas entranhas, invadindo as nossas narinas e as nossas almas. A Primavera está chegando. Será que haverá flores e frutos?

 

(*) Cidinha Carvalho é moradora em Rondonópolis há 50 anos, funcionária pública municipal aposentada, escritora, membro fundadora da ARL com a cadeira nº 11 e atualmente Presidente da mesma.

 

 

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