Antônio César Ribeiro é presidente do Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso – (Foto: Divulgação)

 

Conforme Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, até o dia 05 de setembro, foram notificados 1.178.002 casos de Síndrome Gripal em profissionais de saúde no sistema e-SUS Notifica, sendo que, destes, 288.936 (24,5%) foram confirmados para Covid-19.

O maior volume de infectados ficou entre os técnicos/auxiliares de enfermagem, seguidos dos enfermeiros, médicos, agentes comunitários de saúde e recepcionistas de unidades de saúde.

Em Mato Grosso, o Boletim Epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde, atualizado no último dia 16 de setembro, mostrou que de 109.442 casos de pessoas infectadas pelo coronavírus no estado, 4,86% são da saúde. São pouco mais de 5.300 profissionais, dos quais 54,8% são da enfermagem.

Segundo informado pelo Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso (Coren/MT), entre esses 54,8%, 19,42% são enfermeiros, 19,12% são técnicos ou auxiliares de enfermagem e 16,25% técnicos de enfermagem.

 

 

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Mato Grosso é o 3º estado brasileiro com o maior número de óbitos de profissionais da enfermagem nesta pandemia. Em todo o Brasil, foram registradas até o dia 16 de setembro 425 óbitos, sendo 68 em São Paulo (1º lugar), 48 no Rio de Janeiro (2º lugar), 32 em Mato Grosso (3º lugar) e 31 em Pernambuco (4º lugar).

O presidente do Coren/MT, Antônio César Ribeiro, avalia que a situação em Mato Grosso é bastante crítica. Ele lembra que o número de pessoas (geral) infectadas em São Paulo é infinitamente maior do que em Mato Grosso (924.532 contra 112.200 até sexta-feira, dia 18), mas, mesmo assim, o estado tem 32 óbitos de profissionais da enfermagem e São Paulo pouco mais que o dobro, 68 casos.

Em Rondonópolis, vale ressaltar, já são quatro profissionais de saúde que perderam a batalha para a Covid-19, desde o início da pandemia.

“Isso mostra a fragilidade das condições de trabalho e o quanto estão expondo os profissionais de enfermagem em Mato Grosso”, comenta Antônio César Ribeiro.

 

Para o presidente, a saúde em Rondonópolis apresenta importantes gargalos para o profissional de enfermagem. Ele avalia como principais problemas a sobrecarga de trabalho, cansaço físico e mental dos profissionais.

“Outro fator importante é a falta de equipamentos de segurança (EPIs). Muitas vezes eles são insuficientes para todos, ou não são suficientes para a jornada de 12 horas dos profissionais de saúde, além de muitos serem de péssima qualidade”, explica.

 

Outra questão que preocupa é que não há treinamento ou capacitação de profissionais.

“Trata-se de uma doença nova, que precisa de um manejo clínico especializado. Os profissionais estão adoecendo e se afastando, e as reposições muitas vezes de recém-formados, sem experiência ou formação específica para a terapia intensiva”, explica o presidente do Coren/MT.

 

Outra questão levantada é que o número de profissionais atuando nos hospitais é insuficiente.

“Acredito que são os maiores gargalos em Rondonópolis: pessoal insuficiente, falta de EPIs e treinamento para toda equipe de saúde, não apenas o pessoal da enfermagem, mas todos aqueles que estão lidando diretamente com o paciente”.

 

Fiscalização

De março até 15 de setembro mais de 100 unidades de saúde foram fiscalizadas pelo Coren/MT em Mato Grosso.

Foram mais de 200 denúncias averiguadas, quase 70 notificações extrajudiciais emitidas e 193 fiscalizações in loco realizadas.

Existem ainda nove ações civis públicas ajuizadas, sendo que três são em parceria com o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).

O presidente do Coren/MT avalia que, na cidade, as irregularidades não são diferentes do que acontece em todo o estado. Ele relata que os problemas são falta de equipamentos de segurança para todos os profissionais da saúde, não somente os da enfermagem, falta de condições de trabalho e de pessoal suficiente, e necessidade de realização de concurso público.

 

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