O dia já caminhava para o seu final. Eu estava reunido com os ícones culturais: Valcides Arantes, Wander Melo e Márcio França, em minha casa, discutindo os rumos culturais que a nossa terra estava tomando.

Quando menos esperava recebi a notícia que a minha querida filha Indyanara, aos 15 anos, sofreu um acidente.

Procurei não demonstrar intranquilidade para com meus visitantes, pois com a notícia recebi a informação que a minha esposa já estava tomando as devidas providências.

Eu tinha fobia por sangue, o que prejudicaria sobremaneira a situação, uma vez que passariam a ser dois os necessitados de atenção médica.

Tentei ligar para minha esposa e não fui feliz. Dirigi-me para o hospital. Lá chegando procurei ser forte para não assustar minha filha. Quando a vi ensanguentada e o rosto deformado, numa maca à espera do atendimento.

Cheguei próximo e ouvi sua maviosa voz a rezar. Esperei um momento quando ela parou e falei:

— Filhinha, o Papai do Céu está admirando sua coragem e isso me fez corajoso para suportar meu problema para estar aqui com vocês!

Ela riu e levantou a mão esquerda, dando-me um sinal de que estava lúcida. Balbuciou algumas palavras ininteligíveis e eu debrucei-me sobre ela, procurando demonstrar afeto e atenção. Ela riu novamente e deu-me coragem para encorajá-la ainda mais, procurando sempre a recíproca.

Uma enfermeira levou minha filha para uma sala. Eu fui junto. Um médico, chamado Dr. Eduardo – li no crachá -, chegou como se fosse um anjo azul, mandado por Deus, usando suas mãos como a extensão das mãos d’Ele, e começou a operar. Eu assistia de longe e fingia para mim mesmo que não estava vendo, para não desmaiar. Procurei um pedaço de algodão com álcool e comecei a cheirar, pois sentia o desfalecimento a qualquer momento.

Via o rosto da minha filha sendo costurado, dava-me uma dor insuportável. Quando o médico levantava a mão, puxando a peça para a costura, meu coração dava palpitações dolorosas. Um século depois, aliás alguns minutos depois o médico avisou-me sobre os cuidados a serem tomados.

Eu o tinha como um anjo, mas voltei à normalidade quando ele falou como um ser humano atencioso. Só aí descobri que tudo era verdade, que eu não estava sonhando. Desmaiei.

A atenção que tive no Pronto Socorro e na Santa Casa, desde o porteiro até a administração foram algo que uso e usarei sempre que possível em minhas palestras de atendimento e qualidade por onde quer que eu vá.

Não procuraram de onde eu vinha, quem eu era, quanto tinha no bolso… e deram-nos atenção inenarrável.

Parabéns, Santa Casa!

Sou um rondonopolitano orgulhoso de você!

Espero um dia poder retribuí-la melhor!

 

(*) Hermélio Silva é escritor e membro fundador da Academia Rondonopolitana de Letras, cadeira número 6.

 

 

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