Hugleice da Silva, de 35 anos, estava preso há quase dois anos na penitenciária de Rondonópolis – (Foto: Arquivo)

 

O reeducando Hugleice da Silva, de 35 anos, que foi solto por engano e saiu pela porta da frente da Penitenciária Major Eldo Sá Corrêa na última sexta-feira (28), já está de volta ao sistema prisional.

Ele se apresentou na tarde de ontem (02) na Mata Grande, acompanhado de seu advogado.

Hugleice se encontrava detido na penitenciária há quase dois anos, por dois crimes. Ele é acusado de prática de aborto e ocultação de cadáver de sua então cunhada, a estudante Marielly Barbosa Rodrigues, de 19 anos, crime ocorrido em 2011 em Campo Grande (MS), bem como acusado de esfaquear e depois amarrar a esposa em 2018, já em Rondonópolis.

Segundo as informações, um alvará de soltura expedido pela Justiça de Mato Grosso do Sul permitia a liberdade dele pelo crime cometido em 2011 contra a cunhada, em Mato Grosso do Sul.

Contudo, a prisão pelo crime de 2018, ocorrido em Rondonópolis e tratado como tentativa de homicídio, seguia mantida. Com a soltura, o reeducando se deslocou para Alto Taquari.

 

 

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A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) confirmou que o engano ocorreu na unidade prisional.

“O recuperando Hugleice da Silva recebeu alvará de soltura expedido pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul via malote digital, na sexta feira (28/08).

A Penitenciária Major PM Eldo Sá Corrêa (Mata Grande), em Rondonópolis, em consulta a todos os meios disponíveis aos servidores, não encontrou processo em aberto, por isso ele foi colocado em liberdade”.

 

A Sesp explicou ainda que o mandado de prisão preventiva de 2018, por tentativa de homicídio, estava juntado ao prontuário penal. “Entretanto, por equívoco, a unidade entendeu que se tratava do mesmo processo do alvará de soltura, pois não constava listado nos bancos de dados disponíveis.”, explicou.

Após ser informada do fato pelo Ministério Público, a direção da unidade efetuou diligências na cidade de Alto Taquari e no endereço de Hugleice, em Rondonópolis, porém, não o localizou. Em contato com o advogado do recuperando, o mesmo informou que seu cliente se apresentaria, como fez na tarde de ontem.

 

Tentativa de Feminicídio

Na tentativa de homicídio contra a esposa, no bairro Santa Maria, em Rondonópolis, o suspeito teria visto algo que não gostou no celular da vítima e começou a agredir a mulher com uma faca, a atingindo em várias partes do corpo.

Não satisfeito, o homem amarrou Mayara e desferiu o corte em seu pescoço. Após o crime, fugiu do local com o carro da família.

Ele foi preso em uma abordagem da PRF em Dourados (MS), que durante a checagem encontrou o mandado de prisão em aberto. No momento, ele estava com o mesmo carro da fuga e com o celular da esposa, que foi apreendido. A vítima passou três dias no Hospital Regional, e se recuperou.

 

Morte da Cunhada

O caso é um dos de maior repercussão ocorridos em Mato Grosso do Sul, quando o corpo de Marielly Rodrigues Barbosa, na época com 19 anos e irmã Mayara, esposa de Hugleice, foi encontrado já em estado de decomposição em um canavial em Sidrolândia – a 70 km de Campo Grande.

Ela morreu durante um aborto malsucedido, que, segundo a investigação, foi feito por Hugleice e Jodimar Ximenez Gomes, que era enfermeiro.

A morte aconteceu no dia 21 de maio, data em que ela foi vista pela última vez pela mãe, que mobilizou parentes, amigos, vizinhos, políticos e a opinião pública para encontrar a filha. Em julho daquele ano, foi decretada a prisão de Hugleice e de Gomes, que sempre negaram envolvimento no caso.

 

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