Sistema ocorre com criação do gado de forma integrada com as florestas, sistema silvipastoril – (Foto: Fabiano Bastos/Embrapa)

 

Foi lançada nesta semana a primeira linha de produtos no país com a certificação carne carbono neutro. Desenvolvida pela Embrapa, a carne carbono neutro é um selo de certificação da produção de bovino de corte em sistemas com a plantação obrigatória de árvores como diferencial.

Neste sistema, as árvores neutralizam ou absorvem o metano entérico, exalado pelos animais e um dos principais gases causadores do efeito estufa.

A criação do gado ocorre de forma integrada com as florestas, sistema silvipastoril, ou com a lavoura e floresta, o chamado agrossilvipastoril.

“É quando você tem árvores plantadas no meio do pasto”, explica a pesquisadora sênior da Embrapa Gado de Corte, Fabiana Villa Alves.

 

 

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Para se ter ideia do impacto positivo desses sistemas no meio ambiente, um estudo realizado na Embrapa Gado de Corte, localizada em Campo Grande (MS), aponta que cerca de 200 árvores por hectare seriam suficientes para neutralizar o metano emitido por 11 bovinos adultos por hectare ao ano, sendo que a taxa de lotação usual no Brasil é de um a 1,2 animal por hectare.

Agora, produtos carne carbono neutro vão chegar ao consumidor brasileiro, por meio da linha de cortes de carne Viva, resultado de uma parceria da iniciativa privada com a Embrapa, que desenvolveu o protocolo para a neutralização das emissões de metano.

A compensação é assegurada a partir da certificação e verificação por auditorias independentes. Essa é a primeira linha de produtos desse tipo.

Para a pesquisadora Fabiana Villa Alves, o consumidor terá acesso a uma carne produzida sem agredir o meio ambiente, prezando o bem-estar animal (as árvores garantem conforto térmico e sombra para o gado), além de ter alta qualidade, sabor e maciez.

“A carne carbono neutro é uma iniciativa única no mundo, é a transformação da ciência em um selo comercial”, disse, acrescentando que estão em andamento pesquisas para protocolos de couro carbono neutro e bezerro carbono neutro.

 

O produtor que adota a carne carbono neutro também ganha, conforme Fabiana Villa Alves, com aumento da produtividade, recuperação de pastagens degradadas, conforto térmico para o animal e adoção de um sistema sustentável economicamente viável.

Outro benefício é agregação de valor à carne brasileira, impulsionando a exportação para mercados considerados exigentes, como Europa e Estados Unidos.

Para o diretor de Inovação do Mapa, Cleber Soares, a carne carbono neutro sinaliza os métodos que devem ser adotados pela pecuária nos próximos anos.

“A sociedade clama para que as atividades econômicas sejam descarbonizantes e sustentáveis.

O futuro passa pela combinação inequívoca da sustentabilidade com a inovação”, afirmou.

 

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