A cidade de Rondonópolis, que já sofria com deficiências na saúde pública em condições normais, se viu numa difícil situação diante da pandemia do novo coronavírus (covid-19).

O avanço no número de pessoas infectadas pelo vírus e a falta de estrutura para atendimento da população gerou um quadro preocupante, especialmente com o número reduzido de leitos de UTI para tratar a doença. Muitos apontam que a Prefeitura não planejou adequadamente a prevenção e o tratamento da covid-19.

 

 

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Em meio a toda essa situação, o A TRIBUNA ouviu algumas pessoas de diferentes segmentos na enquete da semana. Afinal, neste momento de pandemia, o que precisa ser melhorado na saúde da cidade? Confira a seguir o que elas responderam:

 

José Olavo Pio, engenheiro civil e empresário local

“Hoje o que precisa ser feito de maneira rápida e eficiente é a massificação dos testes de prevenção ao novo coronavírus.

Se nós fazemos essa triagem, se a gente consegue disponibilizar à população esses testes de maneira mais rápida, a gente consegue então ter uma prévia, fazer os tratamentos prévios necessários e aí a também vai até ter números estatísticos para poder estar trabalhando e prevenindo melhor também a população.

Então, eu vejo que hoje o que necessita, de maneira emergencial, são testes gratuitos, principalmente para a população de baixa renda, que às vezes pode ter alguém dentro de casa com sintoma e não tem dinheiro para poder pagar um teste particular ou em laboratório, ou seja, um trabalho de ação programática, um trabalho prévio, um trabalho de prevenção, de triagem com testes massificados gratuitamente.”


 

Stalyn Paniago Pereira, advogado e presidente da OAB de Rondonópolis

“A situação da saúde em Rondonópolis é preocupante. Acredito que algumas realidades poderiam ter um tratamento diferente.

Primeiro, vejo um número grande de pessoas que são atendidas com sintomas da covid-19 e simplesmente recomenda-se o isolamento, sem sequer realizar-se qualquer exame, contribuindo a existência de subnotificações e irreal controle de contaminados.

Segundo, a estrutura médico-hospitalar tem se mostrado insuficiente, havendo a necessidade de maior atenção a esse tema, principalmente, no que se refere a leitos de UTI. Terceiro, a maior participação da sociedade na adoção de decisões à retomada das atividades. Enfim, a maior conscientização da população sobre a seriedade à adoção de medidas de prevenção.”


 

Vicente Dalberto – corretor de imóveis

“Bem, neste momento de pandemia, o que precisa ser melhorado urgente é a questão de leitos de UTI para atendimento das pessoas em estado mais grave, porém, isto já é pensando numa situação grave como estamos enfrentando.

Todavia, o investimento do município deve ser na saúde básica e na educação, porque a prevenção é o melhor remédio. Então, todo esse dinheiro que é gasto publicidade, jogado fora pelo Município falando de obras, asfalto, ponte, iluminação, não sei o que, deve ser investido para educar a população, para informar sobre questões básicas de higiene, de cuidados com o outro, não preocupar só com si, mas também com terceiros desde a questão de lixo, separação de lixo, jogar lixo na rua, usar esgoto clandestino… Tudo isso é uma corrente que leva a problemas de saúde. Tudo isso aí faz com que a população tenha a necessidade de utilizar equipamentos voltados para saúde.

Trânsito, muito importante ter uma na campanha de trânsito, pois quantos acidentes, quantas mortes, quantas pessoas que enchem os nossos hospitais e acabam causando problema também neste momento de pandemia.

Então, educação em primeiro lugar e pensando também nas questões mais complexas e não só para atender esses momentos. Nós estamos cansados de ver pessoas apelando ao Judiciário, mesmo em momentos que não dizem respeito a pandemia, para conseguir um leito de UTI. Então, a questão de UTI precisa ser pensada a longo prazo. Não deixar muitas vezes de investir porque pessoas de outras cidades eventualmente venham a utilizar.

Quantos cidadãos, quantos rondonopolitanos que vão se tratar fora, em Barretos, por exemplo, no caso de câncer, ou questões complexas de saúde que nós não temos aqui equipamentos necessários para atendê-los. Então, nós também teremos que pensar não só nas pessoas aqui da nossa cidade de Rondonópolis, mas de toda essa região porque nós somos um polo, somos a capital do interior aqui do Sul/Sudeste de Mato Grosso.

Então, neste momento, a gente precisa pensar um pouco mais longe, olhar mais longe e ter uma visão de futuro para que isso não volte a nos acometer com tanta tristeza e, futuramente, a gente não ter tantas perdas como nós estamos tendo neste momento.”


 

Eulice Idalina de Almeida, secretária-executiva e ordenadora de despesas do Consórcio Regional de Saúde Sul de Mato Grosso

“Prestamos serviços a nível da atenção secundária do serviço de saúde, para os municípios da Região Sul de Mato Grosso e estamos apoiando os municípios a todo momento.

Na atual pandemia do novo coronavírus, os municípios devem atuar com destreza e agilidade no nível de atenção básica de saúde, com ações para diminuir o impacto da doença na população sul-mato-grossense.

Todos os municípios estão se adequando como possível. As complicações da covid-19 se tornam uma atenção terciária, onde passamos a ter a necessidade da ajuda do Governo Estadual em que diz respeito aos leitos de UTI.

O objetivo é orientar a população sobre as posturas sanitárias mais adequadas, de forma a não permitir descontrole na transmissão do novo coronavírus.”


 

Altemar Lopes, médico neurologista

“O que precisa, de fato, melhorar nesse momento na saúde de nossa cidade seria aumentar os leitos de UTI [Unidade de Terapia Intensiva], já que as vagas atuais disponíveis não estão sendo suficientes.

Os hospitais estão trabalhando com sua lotação sempre em níveis perigosos, em torno de 90% de sua capacidade, fato que diante de um aumento agudo dos casos graves pode levar ao caos.”


 

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