O século 20 trouxe milhares de avanços em todos os segmentos do conhecimento humano e continuou a avançar, a passos de gigante, nesse início do século 21. Principalmente avanços na medicina, novos medicamentos, descobertas que salvam vidas. Programas espaciais mirabolantes que, ao longo do tempo permitirão viagens espaciais além do nosso sistema solar, com naves tripuladas, cuja velocidade venha a ultrapassar a velocidade da luz e, o mais importante, a real possibilidade de “saltar”, de um ponto para outro, milhares a milhões de anos-luz de distância, pois somente assim será possível realizar o grande sonho de conquistar outros mundos desta e de outras galáxias muito distantes. Utopia? No momento sim, mas está a caminho dessa realização.

Maravilhas aconteceram no século passado e estão acontecendo no presente. Quanto a isso não paira nenhuma dúvida, mas são círculos seletos, fechados a sete chaves. Quanto a isso até que é compreensível até certo ponto, considerando os altos investimentos e a busca por lucros fantásticos, principalmente no universo das pesquisas tecnológicas e científicas (medicamentos, por exemplo), de modo que a conta sempre é paga pelas populações ao redor do planeta, enquanto que fome e miséria aumentam cada vez mais. Os extremos se distanciam dia a dia e rendas e bens duráveis e de consumo se acumulam em mãos de poucos assustadoramente. Muitos poucos têm compaixão e estender de mãos aos mais necessitados.

Alimentos são produzidos em larga escala, mas dificilmente chegam à mesa dos pobres e miseráveis, uma vez devem ser pagos. Recebem, na verdade, migalhas. O mesmo acontece com os medicamentos. Milhões de pessoas vivem à margem da sociedade, num mundo surreal. Só vendo para crer a dimensão de sofrimento e desespero, sem esperança alguma de ao menos garantir um prato farto de comida ao dia. A insensibilidade humana é insana e covarde, pois não assume responsabilidade. Vive-se, atualmente, a desumanidade a ponto de ser extremo. A indiferença passa ao lado, como se nada existisse.

Comunidades inteiras (favelas) vivem normalmente dominadas por traficantes, que impõe suas leis e são obrigados ao silêncio, correndo o risco de serem mortos caso houver alguma desconfiança ou determinação não cumprida. Segurança nenhuma, apenas viver mais um dia, ou melhor, sobreviver. Compaixão há muito que deixou de existir.

Países se isolam cada vez mais, defendendo seus interesses comerciais e científicos com unhas e dentes, buscando hegemonia e poder, muitas vezes a qualquer preço. Pessoas vivem em meio à multidão, porém encontram-se ilhadas, geralmente sem ao menos conhecer o vizinho que moram do outro lado da rua, ou defronte ao seu apartamento. Bom dia ou boa tarde raramente acontece e isso é triste, embrutece o ser humano, deixa-o indiferente ao que se passa ao seu redor, sem ao menos saber estender a mão a um necessitado ou alguém em apuros. Exceções existem, é claro, fantásticas exceções pelo mundo, mas, no geral, ele se enclausura dentro de si mesmo igual a um caramujo.

Vemos, constantemente, espertalhões fundando supostas “igrejas”, cuja finalidade é extorquir os fiéis, para poderem viver confortavelmente em grande estilo. Mas tudo tem um preço a pagar e um dia a cobrança virá, nem sempre de modo suave, mas com terríveis consequências. É a justiça Divina, da qual todos responderão no devido tempo.

No século 20 tivemos duas Grandes Guerras Mundiais. Na primeira (1914 a 1918) morreram em torno de 10 milhões de pessoas e 20 milhões de feridos. A segunda Grande Guerra (1939 a 1945) foram mortas aproximadamente 70 milhões de pessoas e de 28 a 30 milhões de mutilados. De lá para cá o mundo nunca mais teve paz, algo que na aurora dos tempos as conquistas de terras, populações e matanças eram também uma constante. Guerras setoriais aconteciam e ainda acontecem frequentemente na Europa (anexação de territórios e países pela ex-União Soviética, hoje Rússia), Oriente Médio, Ásia, África, Caribe, América do Sul. Guerra das drogas, então é uma constante. As matanças continuam e os mercadores da morte aplaudem enquanto bebem champanha e comem caviar, pois vendem armas para todos os contendores, auferindo dezenas de bilhões de dólares anualmente. Associado às armas, o mercado das drogas corre paralelo, com mais mortes a todo instante. Vivem sem Deus, mentes e corações embrutecidos. O caminho para as trevas é largo, oferecendo as doces imundices desse mundo, mas o caminho para Deus é estreito, porém suave, de paz, tranquilidade e vida eterna.

Paz, na verdade, nunca existiu, mas escaramuças e atentados terroristas a bombas acontecem praticamente todos os dias pelo planeta, com centenas de mortes, normalmente civis. Países se obrigam a serem policiais às 24 horas do dia, fronteiras são fechadas e severamente vigiadas e as populações, ao fugirem desses conflitos, mais a fome e miséria, são tratadas feito gado pelo mundo. Muitos Estados se tornaram insensíveis, cuja brutalidade é extrema. A convivência pacífica está se tornando utopia. A insegurança e o medo tomaram conta, ao passo que as drogas e prostituição se espalham pelo mundo feito rastilho de pólvora e a vida humana há muito que deixou de ser valorizada, tornando-se descartada sem a mínima consideração, como se lixo fosse. Compaixão, então nenhuma. Valoriza-se sim a maconha, cocaína, fuzil, metralhadora e o “deus” dólar. Poder, dominação, ostentação e ganância. Predomina a bestialidade ao redor do planeta, principalmente nos países chamados de terceiro mundo, mas muitos países abastados (1º mundo) são os responsáveis por essas brutais desigualdades sociais, econômicas e tecnológicas, principalmente na América Latina e na África.

O ser humano caminha a passos enormes para a “descompaixão”, brutalidade e intolerância racial e religiosa ao extremo, como também se afasta de Deus cada vez mais, muitas vezes em nome de uma religião para justificar seus atos bestiais, com extermínio em massa de minorias étnicas, cristãos (homens, mulheres e crianças), estupros, sequestros, etc., algo inconcebível numa pessoa normal de sã consciência, mas o fanatismo extremado dita as regras do obscurantismo dos tempos das trevas. Essas pessoas são, na verdade, terroristas, querendo implantar no mundo uma nova “ordem religiosa”, se é que podemos chamar de “religião”, pois nenhuma religião no mundo, que prega a palavra de Deus, ou o nome que Lhe é dado, jamais incentiva ódio e matança, mas sim tolerância, compreensão, fé, amor ao Criador e ao próximo, numa convivência pacífica e harmoniosa, em aprimoramento constante.

(*) Orlando Sabka é aposentado em Rondonópolis. E-mail: [email protected] Texto originalmente publicado neste jornal em junho de 2015.

 

 

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