As lembranças que carregamos nos fortalecem ou nos enfraquecem a seguirmos quando somos adultos. Dessa maneira, precisamos pensar nas memórias que queremos deixar para as crianças diante de um ano em que tudo nos causa tanto estranhamento, onde as questões políticas sobrepõem à vida humana, onde a afetividade e as interações precisam de cautela, onde o convívio com aqueles que já têm certa sabedoria com a caminhada tornou-se tão frágil e necessita de cuidados com um distanciamento para que haja, depois, a aproximação com estes.

Não tem como negar que as aflições nos sondam, porém nossas crianças não necessitam ser acorrentadas por nossas inseguranças. É preciso, sim, ter cuidado, porém precisamos enxergar que as coisas não estão findadas, e que elas (as crianças) podem e devem passar por este momento de reorganização da sociedade como algo necessário e que juntos possamos cuidar uns dos outros, que é preciso preocupar-se com o próximo, pois, para uma sociedade caminhar bem, todos devem fazer sua parte – e que, se um não tem zelo com seu semelhante, todos podem sofrer.

A humanidade clama por aprendizagem sobre respeito, e as crianças têm muito a nos ensinar neste sentido. Em uma brincadeira não há quem é de direita ou esquerda, não há quem acredita ou quem desacredita, não há aquele que não pode participar porque tem alguma limitação, ou porque é negro ou branco, ou porque acredita ou não em uma determinada religião.

A criança faz da infância o momento de acolher, onde a interação tem valor imprescindível; observe como uma criança fica feliz quando chega outra para brincar – o sorriso transparece em seu olhar e o convite é espontâneo.

Neste sentido trazemos o olhar das crianças diante da vida, e é claro que muitas respostas se devem à inocência da infância, porém não devemos esquecer que, sobretudo, estamos falando de seres humanos que têm desde sua concepção uma história, modos diferentes e próprios em perceber as coisas que as cercam, independente se uma criança é evangélica e a outra é católica ou umbandista: elas interagem, não se ofendem em virtude das suas crenças porque, para elas, se divertirem juntas é mais importante do que qualquer outro fator!

Não subjuguemos nossas crianças, que, por muitas vezes, compreendem mais das coisas do mundo do que os adultos que as cercam. Não é incomum perceber como as crianças conseguem acompanhar bem as demandas tecnológicas sem temer o erro, não porque não sabem o preço das coisas, mas porque têm na sua essência a curiosidade latente pelo novo, e mais, seu senso explorador não preocupa-se em pedir ajuda ao próximo para aprender algo que lhe desperta o interesse.

Se pensarmos na potência das interações na vida das crianças, estabeleceremos mais que uma base norteadora das práticas nas Unidades de Educação Infantil; teremos temas de estudos, reflexões, para que a sociedade aprenda que juntos somos mais fortes e podemos mais.

Porque é preciso compreender que sozinho pode-se até se caminhar bem, mas ter alguém para apoiar-se e estimulá-lo em meio à caminhada é bem provável que se consiga ir mais longe!

(*) Clarice Rodrigues Santana, Débora Aparecida Santos França, Kédma Macêdo Mendonça e Sibele Silva Leal Rodrigues, pedagogas, são professoras da rede municipal em Rondonópolis-MT.

 

 

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