Agricultores têm hoje sua importância reconhecida na cadeia produtiva do país para geração de renda, de empregos e, consequentemente, de alimentos – (Foto: Rally da Safra)

 

Em meio a pandemia do novo coronavírus (covid-19), a agricultura é um setor que não parou assim como as demais atividades. Dessa forma, o setor continuou a gerar riquezas e a movimentar a economia.

É um segmento que, alavancado pelo empreendedorismo dos agricultores, tem ajudado o Brasil a minimizar os efeitos da crise atual. E hoje, 28 de julho, Dia do Agricultor, é o momento de celebrar a contribuição dessa importante categoria.

Nesse dia especial, o produtor rural residente em Rondonópolis, Osvaldo Rubin Pasqualotto, e o coordenador da comissão de política agrícola e logística da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja) e produtor rural no município de Cláudia, Zito Donadello, falaram ao A TRIBUNA sobre a relevância dessa classe durante esse período.

 

 

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Zito Donadello observa que agricultura é uma área que não foi paralisada neste momento crítico pelo qual o país passa.

“Toma-se todos os cuidados necessários, porém a contribuição do produtor rural ao país vem dessa forma: não parando, produzindo, continuando a gerar riquezas, divisas, enfim, além de empregos. Gerando alimentos que vão parar na mesa do consumidor final.

Então consequentemente, não é só durante a pandemia que o produtor rural contribui com o país. Ele vem contribuindo desde que o Brasil se tornou exportador de carne, soja, milho, frutas.

Enfim, em todo esse complexo de exportação o produtor já contribui com o país já faz muitos anos. Durante a pandemia vem se vendo que o produtor rural é importantíssimo, é a ponta principal para se manter o alimento na gôndola do supermercado.

Sem ele na ponta, seja de qual tamanho for o produtor, não importa a área que ele planta, seja ele agricultor industrial, empresarial, pequeno produtor, agricultura familiar, todos eles têm a sua importância na cadeia produtiva do país para que se gere renda, surjam empregos e, consequentemente, se gere alimentos com qualidade e sustentabilidade nas gôndolas de supermercados”.

 

Para Osvaldo Pasqualotto, o produtor brasileiro tem mantido a produção de alimentos nessa pandemia. E, assim como Donadello, relatou que o setor não ficou de braços cruzados e, com os devidos cuidados, as atividades no campo continuaram firmes.

“Nós estamos em plena colheita de milho, milho segunda safra, em praticamente todas as regiões do país e em outras culturas como arroz, café, além da própria soja que a gente acabou de colher final de março.

Então o produtor brasileiro, em nenhum momento, parou sua atividade, uma atividade essencial principalmente para manter o pessoal das grandes cidades abastecidos e em casa”.

 

Zito Donadello, acumula o cargo de coordenador da comissão de política agrícola e logística da Aprosoja e produtor rural no município de Cláudia – (Foto: Ascom/Aprosoja)

Apoio dos municípios e estados para produzir

Quanto ao apoio necessário para produzir diante dessa realidade atual, Zito Donadello analisa que o suporte que o profissional teve foram dos municípios que possuem indústrias de esmagamento de soja, milho, abate de animais, suínos e aves e, por isso, levaram o setor em consideração e não obrigaram a parada dessas empresas a partir de decretos.

“Então isso contribuiu para que o setor continuasse rodando tanto produção de soja e milho, quanto à questão de produção de carnes, esmagamento de soja e milho e a produção de etanol do milho. Então, não vimos nenhum problema.

Nós não podemos reclamar. Tivemos alguns percalços no início da quarentena que tivemos no estado e para cada município de uma forma diferente, então houve alguns pontos de atrito, mas no final os prefeitos e o próprio Governo do Estado acabaram percebendo que não dá para se limitar o transporte, não se pode restringir a indústria de trabalhar.

De certa forma, isso acarretaria num prejuízo muito grande ao estado e porque não aos produtores e, consequentemente, ao próprio cidadão urbano, pois causaria o desabastecimento. Então, nessa questão, tivemos apoio sim”.

 

Essa posição foi reforçada por Osvaldo Pasqualotto que, inclusive, agradeceu tanto as prefeituras, quanto ao Governo do Estado, como o Ministério Público por parar a agricultura.

“Nós temos seguido com a nossa atividade. Estamos produzindo nas fazendas, estamos produzindo carne, milho, ovos, criando frango e porcos, e isso é muito bom. A sociedade entendeu que a nossa atividade é totalmente essencial e, com esse entendimento, os produtores puderam continuar a trabalhar.

Lógico que todo mundo está nos maiores cuidados nas fazendas. Em muitas propriedades, o pessoal isolou as fazendas e só entra pessoa com temperatura controlada, o pessoal está usando máscara, passando álcool em gel em todos os locais.

Então, com toda a segurança possível, o meio rural continua a trabalhar e agradecer as entidades por permitir que o nosso trabalho prossiga, por entender realmente que é uma atividade essencial e precisa continuar.

Igualmente essencial como são os próprios meios de comunicação que levam a informação para as cidades, principalmente nos grandes centros onde o pessoal tem ficado bastante em casa”.

 

Osvaldo Rubin Pasqualotto, produtor rural e residente em Rondonópolis: “Então, com toda a segurança possível, o meio rural continua a trabalhar…” – (Foto: Divulgação)

Muitas dificuldades a serem superadas

Os agricultores apontaram quais as dificuldades que a classe de Mato Grosso ainda enfrenta. Zito Donadello relatou o problema tem sido a questão da logística.

“Algumas regiões estão muito bem servidas de estradas já com rodovias pavimentadas, porém outras regiões aí [estão] no completo abandono. A gente pode citar alguns casos das regiões noroeste e leste do Estado com grandes problemas logísticos de estradas, de infraestrutura de rodovias, como na região de Paranatinga, essa região de Gaúcha do Norte…

Esses problemas o produtor rural vem enfrentando sim. E a outra questão é a questão do crédito mais restrito esse ano devido a pandemia e outros medos do mercado, o produtor rural não sabe como é que isso vai se comportar no final das contas.

Vem se produzindo, vem se tendo preço, vem se tendo um ano de excelentes preços para soja e milho. Eu acho que o produtor não pode reclamar disso, porém o crédito vem mais apertado, os juros não baixaram tanto quando o produtor pensava, esperava no caso, mas, enfim, esse é o tipo de dificuldade que o produto vem enfrentando aí no nosso estado”.

 

Zito também apontou dificuldade quanto a armazenagem. E reiterou:

“Nós temos um déficit de armazenagem no estado aí monstruoso. Mostrou-nos que em torno de 50% ainda do que o estado produz não tem armazém para se guardar essa produção.

Temos no estado chegando a 30, mais de 30 milhões de toneladas de soja, vai ultrapassar os 30 milhões de toneladas de milho e nós só temos capacidade estática de armazenar 50% do que nós produzimos.

Então algumas regiões têm até sobra do armazém, mas, na maioria do estado a gente tem um déficit de armazenagem muito grande. A produção vem aumentando e o produtor tem essa dificuldade na questão de contratação de novos armazéns ou até em ampliação”.

 

Já Pasqualotto também citou a logística como a principal dificuldade enfrentada pela categoria em Mato Grosso.

“Nós temos o nosso centro produtivo que é o mais distante de todos os centros consumidores. Então, a grande dificuldade, nosso grande gargalo, continua sendo a logística”.

 

Segundo lembrou o produtor rural, as coisas estão em evolução, como a chegada da ferrovia a Rondonópolis.

“Mesmo há alguns anos chegou a via férrea, que era um sonho de muitos produtores e abriu-se um canal direto para o porto de Santos (SP). Nós também temos um escoamento muito bom hoje para Miritituba (PA), via Sinop, temos escoamento excelente para Porto Velho via porto e outra saída pela BR-158.

Então nesses últimos 20 anos esses gargalos foram sendo desatados e nós estamos conseguindo levar nossa produção com mais tranquilidade para os portos.

Mas ainda a logística é um grande gargalo tanto para exportar nossos produtos daqui, como para buscar insumos. Eu acredito que nos próximos anos esses investimentos terão uma melhora gradativa e a gente consiga solucionar todos esses obstáculos”.

 

Fora isso, Osvaldo Pasqualotto lembrou que várias medidas precisam ser executadas, como a desburocratização de taxas de licenças para o meio produtivo.

“Nós não podemos ficar 24 horas do dia pedindo autorização e licença para produzir. Sabemos e queremos produzir dentro da legalidade, dentro da segurança ambiental, mas a gente não quer a todo momento ficar tirando licenças e essas vão vencendo.

Então esses gargalos têm sido abertos e precisamos modernizá-los cada vez mais. O mundo se transforma muito rápido e nós não podemos ficar com leis ultrapassadas, leis de 1980 aqui dentro do nosso estado. Então, as dificuldades nossas podem se resumir na logística e na desburocratização dos alvarás e licenças para produzir.

Igualmente também nosso setor têxtil com a carga de impostos muito alta nos últimos anos que deu-se o Fethab 1, Fethab 2, já estamos no Fethab 3, enquanto os outros estados não tem nenhum Fethab, nós já estamos no terceiro Fethab.

Então, eu acho que está na hora de começar a olhar para o campo e ver que podemos ainda continuar sendo um setor que produz e traz riqueza para essa nação”.

 

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