A proximidade com a morte, a introspecção do isolamento social, o estado geral do mundo, e os antagonismos políticos que vivemos fez muita gente pensar como será o futuro.

Os prognósticos não são animadores. Pandemia(s); recessão, pico do petróleo, mudanças climáticas, eventos catastróficos, perda da biodiversidade e suas consequências. Governantes incultos e insanos ou mesmo representantes do crime organizado, alteram o aparato do Estado para promover a concentração de renda a todo custo, inclusive da extinção de fauna e flora, da dilapidação geral do ambiente e da degradação da vida de seus próprios conterrâneos.

A sociedade chegou a tal nível de materialidade que nem vidas humanas representam alguma coisa frente ao capital. “E daí!” se milhares morreram. E daí se os alimentos estão cheios de venenos, e daí se águas estão contaminadas e animais desaparecendo? E daí se o mar está cheio de plástico? E daí se o seu intestino e sangue já têm micropartículas de plástico? O que importa é o dinheiro pra pagar os boletos que precisam ser pagos e comprar e comprar muitas inutilidades que nos fazem pensar que são indispensáveis.

Enquanto parte da mídia busca disseminar o pior cenário possível, mantendo o medo e o controle da população, perpetuando o “sistema” atual, mídias alternativas e redes sociais, aproximaram os que buscam vida melhor. A internet, embora tenha propiciado a manipulação de massas que levaram ao poder alguns insanos mundo afora, também dissemina muita coisa boa.
Muitos pensadores têm dito que não deveríamos voltar à vida “normal” após a pandemia, pois o “normal” é o problema. E os movimentos em torno de alternativas vão crescendo.
Apesar do materialismo exacerbado, vemos movimentos colaborativos, de filantropia, espiritualidade e economia solidária. A produção de comida sem venenos, os veganos, as CSAs a proteção aos animais e ao ambiente. Ações de preço justo, mercado local e moedas comunitárias, construção sustentável, energias alternativas, reuso de resíduos. A vida simples e minimalismo, Cohousing e diversos tipos de comunidades intencionais (ecovilas), tem despertado e proliferado pelo mundo. Movimentos que se caracterizam por ações coletivas, pouco ou não apoiadas por instituições governamentais.

Quero focar no movimento de ecovilas, que não é novo, mas está em expansão. As ecovilas são grupos de pessoas com ideais semelhantes que se organizam para viver e morar juntos, na cidade ou no campo. As variações são inúmeras. Desde aqueles que vivem na mesma casa em zona urbana, dividindo espaços e alimentação, àqueles que escolhem morar no campo, cada um em sua casa (em construções sustentáveis), partilhando as áreas coletivas e por vezes o trabalho também. Quando decidem ir para zona rural, buscam terras para viver e cultivar com critérios rígidos de preservação ambiental com práticas de permacultura, agricultura orgânica e agroflorestal entre outras.

As ecovilas tornaram-se verdadeiros laboratórios na disseminação de tecnologias baratas e de baixo impacto ambiental, baseadas no uso mínimo de combustíveis fósseis. Fontes de produção de alimentos saudáveis e de crescimento pessoal e espiritual de seus integrantes. É um movimento que tende a se ampliar, em parte dado ao descontentamento de alguns pela cidade e seus (des)governantes, outros, para buscar viver junto à natureza, com mais tranquilidade e paz. Outros buscam local para produzir sua comida saudável e preservar sua saúde. Mas todos com grande descontentamento pelos rumos da sociedade atual e com esperança de oferecerem uma alternativa melhor ao futuro de sua família.
No mundo existem diversas destas comunidades, sendo a mais conhecida a ecovila Auroville, na índia, famosa pela “ausência” de um governo central e de suas decisões democráticas onde todos os cidadãos se manifestam sobre as decisões coletivas (fator fundamental em toda ecovila). Mas a vida em ecovilas não é um conto de fadas. Onde há gente há discordâncias e estas precisam ser trabalhadas da melhor forma possível, usando-se técnicas e práticas da sociologia, psicologia e mesmo da espiritualidade. Por isso se diz que ecovila são seus integrantes. Se estes forem colaborativos entre si, respeitando as individualidades, a chance de sucesso é maior. No entanto, se este “ecovileiro” reproduzir os atuais “hábitos urbano-sociais” dentro da ecovila, trará grande chance de prejudicar a todos. A ecovila é um local onde os egos devem ser mantidos sob controle.

Diversas pessoas que possuem áreas rurais, por vezes subutilizadas, por não terem financiamento ou orientação adequada na implantação das atividades agrícolas, estão disponibilizando estas áreas, sob várias modalidades, para criação de ecovilas e produção sustentável. As vezes vendem, arrendam, vão morar na ecovila ou trabalhar em parceria. Em Rondonópolis temos um grupo se estruturando e buscando áreas e parcerias, na Chapada dos Guimarães outro, em Goiás, Minas e praticamente todos os estados se formam grupos.

(*) Paulo José F. Santos, futuro “ecovileiro”. Email: [email protected]

 

 

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