Os gregos discutiam política nas Ágoras (praças), lugar onde até os povos escravizados alfabetizados, de quando em vez, participavam dos debates entre nobres. A chegada das redes sociais foi uma maravilha para as pessoas legitimarem suas grandes ideias, aproximar mundos diferentes, terem relacionamentos, liberar as pulsões, enfim, um novo universo para escapar da angústia de serem elas mesmas. O entrave é que as redes sociais se tornaram a nova arena romana de embate dos tempos modernos.
A antropologia, disciplina que faz o estudo ou a reflexão acerca do ser humano e do que lhe é específico diz que: essa participação em massa desordenada, onde todos falam ao mesmo tempo, com os ânimos sempre ultrapassando a linha do razoável, transformou a malha da comunicação num depósito de lixo virtual sem precedentes, num campo de batalha e ataques políticos, uma versão de boca de fumo virtual do século XXI onde ganha visibilidade e likes, o cabrito que berra mais alto, o internauta que se excede no dramatismo caricaturesco. Uma verdadeira cópia mal feita dos modos operandi daquela situação de 14 de julho de 1789 da queda da Bastilha, de um lado, os jacobinos, de outro, defensores do girondino fazendo uso de um poderoso solo platafórmico para perpetuação das guerras reais.

A Internet foi criada em 1969 nos Estados Unidos, ela nada mais é do que a estrutura que melhor até hoje conseguiu em partes, administrar as diferenças. Dentro desses pilares sociais, todos que vieram crescendo nesses últimos dois mil anos pós Cristo foi o include que melhor traduziu a solução para compreender a chegada do novo, mas, ainda está muito longe de fazer o humano senciente chegar num concorde satisfatório entre si. Bom por um lado, ruim por outro. O maior entrave é que esse “humano” é focado no interesse e não em valores, tem olhos gordos no produto e não enxerga a beleza do processo, mal sabe ele que o processo gera a rede de intercapilaridade que reúne todos os matizes ligando tudo a todos numa inocência de simplicidade infantil.

O fenômeno da individualização nunca foi algo fácil para povos civilizados com interesses no poder, a expectativa utópica era construir no terreno estéril das opiniões contrárias, pelo menos um palmo de chão limpo que conseguisse extrair discussões fecundas, porém, o avanço ainda é em parcos milímetros.

Somos organismos mutantes com capacidades de reinvenção, mas nossa maneira de compreender os bens que criamos sempre nos levou para sendas sem volta. Usamos sempre a ética da conveniência dentro de um modelo milenar engessado no egocentrismo, que trabalha só para atender as exigências do automático modo próprio de ver a vida, sem fazer uso da benevolência e do escrutínio de ouvir até o fim, o que o outro pensa. As guerras sempre se iniciaram desse mesmo modo, e nos ensinou que tudo começa por um povo sem ouvidos, pouco participativo cheio de divergências interpretativas, com manias de aplicar altos rigores uns nos outros em nome de sua sagrada ideologia.

(*) Maximiano Ferraz de Almeida é músico e professor em Rondonópolis.

 

 

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