Registro da Comissão Especial que debate a retomada das aulas na rede de ensino – (Foto: Divulgação)

 

A dificuldade de acesso à internet, a um computador e outras ferramentas tecnológicas por grande parte dos estudantes e professores, bem como a falta de capacitação dos profissionais e de estrutura nas instituições de ensino são alguns dos principais desafios enfrentados para a manutenção das atividades educacionais durante a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) em Mato Grosso. Os itens foram apontados durante seminário realizado pela Comissão Especial da Assembleia Legislativa que está discutindo a retomada das atividades escolares nas redes estadual e municipal de ensino.

Pós-doutor em Ciências Sociais, doutor e mestre em Educação, o professor Luiz Fernandes Dourado, da Universidade Federal de Goiás, afirmou que o estado brasileiro já vivenciava alguns retrocessos no que diz respeito ao cenário político-pedagógico da educação, que, segundo ele, poderão ser intensificados durante a pandemia. Apontou ainda a ausência de políticas orgânicas e diretrizes nacionais para a educação como questões que estariam contribuindo para o atual cenário educacional brasileiro.

 

 

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Indicadores apresentados por Dourado revelam que o acesso à internet e a computadores no Brasil é desigual entre as classes sociais, sendo menor nas classes D e E. No que se refere ao acesso a um computador, o índice nas referidas classes é de apenas 5%. “Reconheço a importância das tecnologias, sobretudo os avanços que elas produzem, mas entendo que elas não podem substituir a educação em toda a sua extensão e tampouco serem encaminhadas por soluções improvisadas, correndo risco de redução do processo formativo […]”, frisou o professor.

Membro da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, a deputada federal Rosa Neide (PT) destacou a importância de ouvir os estudantes para entender melhor suas necessidades e afirmou que não pode haver educação sem que haja o professor como mediador do processo.

O deputado estadual Thiago Silva (MDB) disse que a pandemia “antecipou o futuro da educação” e defendeu que o acesso à internet seja incluído como item básico da educação em Mato Grosso. O presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Neurilan Fraga, declarou que não concorda com a postura de alguns secretários municipais de educação, que pretendem computar a carga horária de EAD para cumprimento do calendário escolar, pois, em sua opinião, a medida provocaria exclusão de grande parte dos alunos.

Vice-presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) de Mato Grosso, Eduardo Ferreira da Silva afirmou que as instituições de ensino devem manter contato com os alunos, de modo a evitar a evasão escolar. “Quando voltarmos, precisamos avaliar quais foram as habilidades que conseguimos desenvolver e consolidar nessa modalidade remota, para, só então, validar como carga horária, se for o caso”,acrescentou.

Valdeir Pereira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), lembrou que os profissionais da educação também enfrentam dificuldades de acesso à internet e demais tecnologias digitais e destacou a importância da capacitação dos mesmos para atuar nessa modalidade de ensino.

O deputado estadual Xuxu Dal Molin (PSC) pediu aos membros da comissão especial que avaliem a possibilidade de autorizar um retorno gradativo das aulas, iniciando pelas escolas da rede particular de ensino, que, segundo ele, detêm cerca de 30% dos alunos e estão preparadas para adotar medidas para evitar a contaminação por Covid-19.

O presidente da comissão, deputado Valdir Barranco (PT), afirmou lembrou ainda que a iniciativa de formar uma comissão com representantes de diversas esferas para debater o retorno das aulas é inédita no país.

 

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