Edileusa Pena

A pandemia desenhou, acelerou e pôs em prática um cenário novo para a informação e a comunicação sem precedentes, está provocando um salto gigantesco no uso das tecnologias e já se configura como um caminho em que uma enorme parcela da população será inserida. Seguindo esta lógica nos arriscamos a dizer, com elevado tom de certeza, que a vida como conhecíamos até meados de março deste ano não será mais a mesma após está pandemia. A incidência deste vírus no planeta

Alexandre Gusmão

impulsionou um aumento relevante da conectividade digital e no processo de disseminação de informação. Possibilitando as pessoas se reunirem digitalmente com seus familiares e amigos por meio do uso das redes sociais e aplicativos. De fato, a internet tem ajudado a aproximar pessoas e amenizar as dores da solidão, da falta do convívio familiar e social provocado pelo isolamento e o distanciamento físico.

Por outro lado, é importante assimilar que a pandemia da Covid19 foi capaz de revelar o lado trágico e negativo dos “infosocioexcluidos”. Um exemplo bem prático e atual é a dificuldade das pessoas em receber o auxílio emergencial do governo através das plataformas criadas para os celulares. Milhares e milhares precisaram ir até agências da CEF, pois, em vários momentos não conseguiram acessar a plataforma digital porque lhes faltavam os códigos de acesso mais simples que são entregues por um processo educacional, que infelizmente não chega a todos. Quer sejam:, alfabetização digital, literacia informacional, inclusão digital e competência cognitiva para manusear os aparelhos tecnológicos e as mídias digitais, virtuais e online com autonomia, conhecimento e desempenho efetivo.

Somente para deixar registrado e fundamentar esta afirmativa: Somos um País de aproximadamente 13 milhões de analfabetos. Os analfabetos funcionais totalizam 38 milhões de pessoas de acordo com os dados da Pnad de 2018, do IBGE. Isso quando falamos da alfabetização letral. Somado a isso a questão da inclusão digital e o fosso educacional vai muito mais além. São milhares de pessoas sem os conceitos básicos para navegar pela internet, manusear um celular, smartphone, tablet, notebook ou um computador. Entre outros problemas, a informalidade que muitas vezes desumaniza, e que também está presente na economia criativa.

Essa falta de alicerce fixada na rocha da Educação cria uma gama de dificuldades para se combater uma batalha contra um inimigo comum que é o vírus da Covid-19. Neste enfrentamento é fundamental que as pessoas entendam as normas, regras, avisos, diretrizes etc. É este entendimento que possibilitará que todos caminhem numa única direção e consigam nadar até a outra margem do rio, saindo da “Infosocioexclusão” e combatendo a “Infoepidemia”, ou seja, combater a desinformação e a manipulação da sociedade excluída social e digitalmente e que vivem em áreas de vulnerabilidade social, econômica e cultural.

Também é importante frisar que outra faceta do momento atual que nos está sendo entregue é a questão da Educação a Distância (EAD). Em nosso ponto de vista, estávamos olhando em longo prazo para um horizonte de 5 a 8 anos. Algumas instituições de ensino já ensaiavam algum movimento neste sentido, mas tudo muito tímido e receoso. O vírus chegou e numa questão de meses fomos obrigados a encurtar o futuro. Esse é um ponto importante, pois temos agora um desafio gigantesco com as metodologias que terão que ser desenvolvidas para suprir as demandas que já estão aí. Lembrando ainda que estas metodologias já devem ser pensadas no tocante a diminuir o impacto da não presença física a longo prazo e o famoso olho no olho.

Reiteramos, ainda, que não conhecemos um país desenvolvido que tenha se comprometido com a obrigação de entregar ao seu povo os fundamentos educacionais necessários para seu desenvolvimento como cidadão e sociedade. Educação, Comunicação, Informação e Conhecimento são as moedas que precisamos ter sempre à mão, é o ativo principal de um país para poder gerar riqueza, bem-estar e desenvolvimento para alicerçar a Sociedade 5.0, a qual já se encontra em construção no Japão. São estas fatias que fazem o todo e quando o todo está em harmonia os indivíduos finalmente tornam-se protagonistas de sua história.

(*) EDILEUSA REGINA PENA DA SILVA é jornalista e professora Associada II do curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Rondonópolis. Atua na docência há 18 anos. [email protected]; e ALEXANDRE OLIVEIRA DE MEIRA GUSMÃO é professor e coordenador do curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Rondonópolis. aomgusmã[email protected]

 

 

2 COMENTÁRIOS

  1. Essa discursão relacionada ao uso da tecnologia é muito mais abrangente , porém temos que concorda que passamos a nos reinventar após a pandemia. O uso de varias plantaformas digitais e redes sociais tornaram-se mais comum e desenvolveram nas pessoas a necessidade de adaptar-se em um novo mundo tecnológico.

  2. Edileusa, omo você é muito nova, te perdoo. Ocorre que os analfabetos funcionais da educação – os professores – protestaram com vaias em 1996 quando os chamei assim no auditório da da então UFMT. Não quiseram ouvir o que eu tinha a propor em termos de formação tecnológica de professores na formação inicial e continuada. Eles, com a militância de praxe preferiram usar o zap para acertar greve, mas não aprender a operar com ferramentas digitais em sala de aula. Não perdoo nenhum deles/delas. Dali para frente o GENTE, grupo de pesquisa avaliou a literácia digital de todos os professores das 19 cidades em torno de Rondonópolis, publicamos, apresentamos em congressos, e fora dois cursos de pós-graduação, optaram por permanecer analfabetos funcionais. Sem perdão. Vale também ressaltar que em 199 fui o representante da UFMT para criar e operar a UNIREDE que levou formação (licenciatura) e continuada (extensão e pós-graduação lato sensu) para mais de 70.000 professores leigos e normalistas do estado de Minas Gerais por meio do Projeto Veredas. O MEc destruiu a UNIREDE e optou pelo ensino da Open da Inglaterra. É assim, amiga. Outros interesses sempre estiveram acima do fazer o certo para o povo. Valeu pelo texto, mas a coisa vem de longe…

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