Nada é simples nesse momento. Fora os que não conseguirem ficar em quarentena por necessidade, são pouquíssimos os que podem ficar tranquilos, esperando a pandemia passar, para então sair de casa e seguir a vida naturalmente. Alguns perderão parentes próximos, amigos ou vizinhos. Outros perderão patrimônio. Ainda teremos os que perderão as duas coisas.

Precisamos ser realistas sobre os cuidados, mas não necessariamente catastróficos sobre os efeitos. É óbvio que ninguém quer morrer ou perder um ente querido para o vírus, mas precisamos reconhecer que, se continuarmos nessa linha, teremos poucas baixas e em breve voltaremos às atividades.

Não faço cara de inteligente ou tranquilo para parecer bem na foto. Como a maioria, me sinto muito angustiado e preocupado, mas devemos manter a serenidade. Sei que depois da tempestade vem a calmaria e precisamos estar prontos para arrancar bem quando ela passar.

Aliás, esse me parece o aspecto importante. Estar preparado para o retorno, quando a porteira se abrir, mesmo que não saibamos quando exatamente ela será. Mas em breve as tramelas cairão. Nada é eterno. Nem a alegria, nem a tristeza.

Um ditado raso que aprendi quando criança na roça me parece fazer muito sentido hoje: o único que morre de véspera é o peru de Natal. Devemos deixar as coisas acontecerem e fazer a nossa parte. Por isso, precisamos segurar a angústia que é muita e não deixar que ela estrague tudo.

Aliás, a primeira questão é deixar de se preocupar com o que não temos possibilidade de interferir. Não conseguimos mudar o vírus e nem as notícias catastróficas que algumas mídias nos oferecem. Isso não significa ficar alheio ao que está acontecendo. Mas de nada resolve revirar más notícias. Informação em excesso gera desinformação e, por conseguinte, angústia.

Também gera angústia o sentimento de que você está atrás dos demais. Que os outros estão bem e você não. Ou que os demais estão se preparando melhor que você. Vão ou estão aproveitando melhor as oportunidades. Não se engane. A maioria tem o mesmo sentimento.

Estamos cheios de gente se passando por guru neste momento, tentando nos dizer o que fazer e como fazer o melhor nessa fase, para sair na frente. Muitos desses estão tão perdidos, preocupados ou às vezes em dificuldades quanto a maioria dos que assistem suas recomendações.

Outra tática é ignorar os felizões das redes sociais, até porque lá, ninguém tem problemas e todos estão de boa, curtindo a folga da quarentena, o que sabidamente não é verdade. Mas você precisa se convencer disso. Converse abertamente com alguns e perceberás que a maioria está igual a você.

Penso que aproveitar o que pudermos na nossa convivência familiar que agora se tornou obrigatória para a maioria já é um grande começo. Ocorre que isso é o inferno para alguns e uma bênção para outros. Confesso que tenho avançado muito, mas ainda estou tentando me adaptar a essa rotina. Na verdade, a própria rotina ainda não está bem definida. Mas cada dia avanço um pouquinho.

Tem sido a minha estratégia. Fazer um pouco de cada vez, com firmeza, sem mudar os planos (claro, que antes de tudo, você precisa fazer algum planejamento do período), melhorando e se preparando para quando voltarmos. Não falo ao normal, porque isso não saberemos quando e se um dia voltaremos.

Como afirma um ditado popular: a motivação é uma porta que abrimos por dentro. Talvez esse seja um grande momento de você e somente você, procurar os seus motivos (ou novos motivos), e de repensar e reagir.

Importantes essas duas palavras, porque pensar sem agir, não muda a realidade. Pensar novamente sobre você, suas crenças e capacidades é mais que necessário nesse momento. Talvez encontre oportunidades ao invés de apenas problemas.

Por fim, no meu plano para esse período complexo se resume em três pontos: primeiro organizar o que ficou para trás e deixar organizado o que for possível, para o período que virá. Segundo, é manter o machado afiado, me qualificando e requalificando. A internet está aí para isso.

E em terceiro e não menos importante tenho utilizado as ferramentas digitais para estabelecer e restabelecer amizades e relações produtivas, não tóxicas, com pessoas que são ‘up’, para cima, e que disseminam energia positiva. São amigos ou profissionais que guardo no lado esquerdo do meu peito.

Notícias boas virão. Fé é acreditar, para termos esperança. E agir é a ação necessária para realizar aquilo no que acreditamos.
Até a próxima.

(*) Eleri Hamer escreve esta coluna às terças-feiras. É professor, workshopper e palestrante – [email protected] – www.linkedin.com/in/elerihamer

 

 

1 COMENTÁRIO

  1. “Depois da tempestade vem a calmaria”…verdade só esqueceu de dizer que depois da tempestade é hora de juntar os cacos, isso se tiver cacos para juntar. Dizer para ficar em casa é fácil quando a geladeira esta cheia, quando a conta tem fundos, e quando pode pedir delivery.
    Alem da histeria e do sensacionalismo da mídia, há a HIPOCRISIA dos paladinos da sabedoria e da moralidade.

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