Neste tempo em que vivemos no estágio de isolamento social, ao mesmo tempo, movimentado pela sociedade do espetáculo, não há nada mais de preocupante e coisa perigosa do que pronunciamento da palavra, que conduz a massa a fetichização do individualismo, como pressuposto para negação do coletivo.

De modo preocupante é que a luta pela educação de qualidade, formação da consciência crítica, diretos e cidadania, vem perdendo espaço e significado nessa geração. É importante para desenvolver a prática educativa crítica o educador compreenda o comportamento político da massa na atualidade, bem como o conteúdo valorativo que circula na mídia, tem sido mais significativo e envolvente do que a luta pela garantia de direitos e humanização indivíduo. É evidente numa sociedade do espetáculo, no tempo de pós-verdade, produz na geração uma consciência da mistificação social, vinculada ao pressuposto de uma educação fetichizada, embernada no porão do substrato da cultura do individualismo.

A educação fetichizada é a que descaracteriza, o sentido da existência e o fenômeno da educação como formação social. É a educação que movimenta o indivíduo numa idealização romântica do mundo, a fim de que o sujeito não tendo uma compreensão de si e do mundo que vive, passa atuar como agente que renuncia a ciência e a educação pública como garantia de direito e qualidade social, enquanto instrumento e condição de mediação comprometida com a emancipação humana.

Partindo do pressuposto de que, a vida se movimente e se estrutura, a partir de uma ideia de coletivo. Pode-se inferir, que o ato educativo capturado pelo substrato, do encantamento do mundo desencantado, incita as pessoas a auto destituição da capacidade de compreensão, do sentido e significado, da educação como processo de mediação de formação humana.

A educação no contexto da sociedade do espetáculo, que mistifica a consciência, apresenta-se ao indivíduo com a percepção de neutralidade do conhecimento, o que não passa de um simulacro da arte do disfarce. A arte de formar-se a nova geração no espaço da escola pública, fundamentado nesse pressuposto teórico, tem cumprido de forma significativa, o papel ativo de colocar a geração de estudante na passividade. A educação da mistificação pedagógica, constitui-se como ingrediente de alienação da consciência, visando colocar o indivíduo no espaço da forma, por isso você encontra uma parcela significativa de indivíduo que acredita em terra plana e no valor do obscurantismo absoluto do deus seja louvado do capital.

O fato singular é que na perspectiva da sociedade do espetáculo, o ato educativo constitui-se como veículo para que, a pessoa produz a negação de sua capacidade de objetivação e subjetivação. A política de educação, como veiculada pela escola sem partido, cívico de dissimulação da disciplina, com a ideia de neutralidade, enquanto condimento de desidratação da pessoa da condição de agente da cultura, bem como, da condição sujeito social, produz o fetichismo da individualidade.

Penso que, também o pressuposto de educação como redentora da sociedade, que historicamente, tem conduzido o horizonte, teórico-metodológico da escola pública, como mediação de reprodução da ideologia vigente. De certa forma, mesmo compreendendo que a escola, também constitui como espaço de formação da consciência crítica. Na prática, o que tem sido hegemônico é a produção do simulacro mistificador da função social da educação. À medida que esconde as contradições de classe sociais. O que acaba de reforçar a ideia de despolitização social.

Enquanto educador e pesquisador de política da educação na escola pública, compreendo que no contexto hegemônico de disseminação da cultura política neoliberal, que patrocina a veiculação do conteúdo da sociedade do espetáculo na educação é desafio a superação dessa lógica, no contexto da sociedade da desesperança. Por isso, constitui como dilemas a ser enfrentado pelos educadores, como condição para a formação da consciência crítica: a formação permanente centrada na escola e a organização do trabalho pedagógico, como espaço primordial do professor/a. Educação popular na escola pública como condição para ajudar o estudante aprender a pensar e compreender teoricamente o mundo. Não é menos preocupante buscar uma melhor compreensão da concepção teórico-metodológica que fundamenta/orienta a prática docente.

É preocupante a onda que chega à sociedade, também a escola o coro de renúncia, de resistência e desesperança ao conhecimento científico. É desafiador lidar com uma geração que está renunciando o desejo de estudar, bem como de investir na apropriação do conhecimento produzido ao longo da história da humanidade. Além da fetichização da educação, mistificação pedagógica no espaço da escola, que não for repensada, pode conduzir a autofagia de geração.

Pensar a educação como um ato de comunicação, como ato ético-político, como teorizou Freire, significa aprofundar no entendimento de que o ato educativo libertador, estrutura-se num movimento dialético, implica leitura crítica da realidade e formação da consciência crítica como método, além do envolvimento no processo de a apresentação da perspectiva de outra possibilidade de constituição social.

O tempo é de educar para reencantar a vida mediado pela educação, para um novo contrato social libertador e comprometido com a emancipação humana.

(*) Dr. Ademar de Lima Carvalho, professor de filosofia e teoria da educação/UFMT em transição para UFR.

 

 

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here