“Se Mato Grosso não está num nível tão alto, não é um número tão grande, então daria para se discutir uma mitigação das medidas”, afirmou o imunologista André Fonseca – (Foto: Divulgação)

 

Mesmo na iminência do crescimento do número de casos do coronavírus em Rondonópolis, muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre como se precaver para não serem infectados pela doença e como evitar a sua propagação para outras pessoas. As autoridades sanitárias e de saúde têm se esforçado para informar a população, mas ao mesmo se disseminam informações distorcidas e na contramão do que dizem os especialistas, colocando em risco a saúde das pessoas e comprometendo todo o trabalho preventivo desenvolvido.

Para esclarecer algumas dúvidas frequentes e melhorar o entendimento das pessoas a respeito do coronavírus, o A TRIBUNA ouviu o médico veterinário André Luis Soares da Fonseca, professor de Imunologia da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), com Doutorado em Saúde Pública Internacional e Doenças Tropicais, que já esteve em Rondonópolis recentemente ministrando palestras em parceria com o Hospital Veterinário Xaolin, que passa dicas importantes para o entendimento da gravidade e extensão do problema.

 

 

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Perguntado a respeito da eficácia da política de isolamento social adotado em Mato Grosso, semelhante à adotada no estado de São Paulo, epicentro da pandemia no Brasil, onde são registrados os maiores números de pessoas infectadas pelo coronavírus e onde a doença vitimou o maior número de pessoas, ele diz que esta é a política ideal, mas levanta alguns questionamentos. “O caso de São Paulo não dá para discutir, os números estão colocados. O problema é que cada região é diferente, cada setor é diferente no Brasil. Então, a nossa opinião é que não dá para tratar o Brasil como um bloco, fazer tudo junto ao mesmo tempo. Obviamente que, quanto mais precoce você fazer o isolamento, mais você vai limitar a disseminação da doença, mas esse caso é muito complexo e é multifatorial, porque tem uma parte triste dessa história, que infelizmente é importante, que de alguma forma as pessoas, pelo menos as resistentes, entrem em contato com o vírus, para poderem desenvolver a resistência imunológica”, explicou.

Ele continua dizendo que essas pessoas infectadas poderão transmitir a doença para outras pessoas e que existem os grupos de risco, como idosos e pessoas com algum tipo de doença, mas isso não quer dizer que crianças e pessoas de todas as idades não irão morrer, mas, ao mesmo tempo, afirma que é cedo para traçar um panorama de mais longo prazo a respeito do novo vírus. “Não existe esse absolutismo de não haver casos (entre mais jovens). É um vírus novo, o pandêmico geralmente tem um comportamento diferente do vírus tradicional, tipo o H1N1. São vírus que aparecem e depois por alguma razão desaparecem. Não sabemos se vai ser esse o caso, pois estamos no começo, mas temos como arma importante para nós a tecnologia e os dados, coisa que antigamente levava dez, vinte anos para ter resultado, hoje praticamente em dois, três meses você já tem a resposta. Nós temos que analisar o caso da China e os casos da Europa e Estados Unidos para podermos entender o comportamento dessa pandemia”, afirmou o professor.

Na sua avaliação, essa não deve ser a última patologia a ser transmitida em nível global, até porque hoje em dia há uma facilidade muito grande de deslocamento das pessoas, que levam as doenças para todos os cantos do planeta, inclusive para as plantas, mas ele defende que a economia continue girando. “A saúde é em primeiro lugar, isso é indiscutível, mas a gente tem que sustentar as pessoas, não é uma questão só de economia, é uma questão também de sustentabilidade da população, que tem que comer, trabalhar. E o Estado não pode ficar bancando, ele não aguenta, a não ser que a gente adote uma economia de guerra, o que é uma coisa totalmente diferente. Então, nós temos que parar de pensar na economia como ela é e começar a pensar numa economia de guerra, não ter mais ação e ter bônus de guerra, coisas assim”, continuou.

Sobre a informação, divulgada principalmente por meio das redes sociais, de que o vírus se propagaria mais facilmente em países frios e que sua intensidade de disseminação seria menor nos países tropicais como o Brasil, ele esclarece que a relação está no fato de que no frio as pessoas costumam se aglomerar em locais fechados, o que facilita a propagação dos vírus, principalmente os respiratórios, enquanto que no calor há mais a propagação das doenças bacterianas, geralmente gastrointestinais, e é por isso que vemos a propagação de doenças como as diarreias nos períodos quentes e a pneumonia nos períodos frios.

“Os vírus são transmitidos pelo ar principalmente, mas não exclusivamente. Mas os vírus respiratórios são doenças contagiosas, por contato com gotículas, com material suspenso. Então, em ambiente fechado, a transmissibilidade é maior. Daí a recomendação de ficar em casa com a janela aberta”.

 

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