Uma das propostas do novo Plano de Mobilidade é a criação de um calçadão no centro da cidade – (Foto: Arquivo)

 

A Câmara Municipal aprovou, por unanimidade, no último dia 19 de fevereiro a atualização do Plano de Mobilidade Urbana (Planmob) de Rondonópolis, diante da importância do mesmo e da urgência de sua aprovação, sem a qual o Município correria o risco de perder recursos oriundos de convênios federais. Parte integrante do Plano Diretor, o Planmob tem a função de orientar a ocupação do solo urbano, levando em consideração as necessidades imediatas e futuras dos munícipes. É elaborado tendo como base estudos científicos que levam em consideração como o município está, mas também projetando o seu crescimento, de forma que esse crescimento aconteça de forma organizada, sem deixar gargalos difíceis de serem resolvidos para trás.

Todo esse trabalho técnico de organização e sistematização da pesquisa que resultou no Planmob foi coordenado pelo coordenador do curso de Pós-graduação em Geografia da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), professor Jeater Maciel Correa Santos, que falou ao A TRIBUNA a respeito de detalhes do documento aprovado pelos vereadores e sobre as implicações imediatas e futuras que o mesmo trará à vida do cidadão comum. “Como a cidade vai crescer muito nos próximos anos, e também vai aumentar muito o fluxo de veículos, inclusive de veículos pesados, se a cidade não repensar o crescimento dela, o seu planejamento, a gente vai duplicar ou triplicar a população sem o devido preparo. Isso fatalmente resulta no caos. Encarece os serviços públicos, inviabiliza o trânsito, tudo. E como Rondonópolis tem essa especificidade de ter as rodovias federais cortando por dentro da cidade, o impacto é gigante”, contou.

 

 

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Ele exemplifica contando que a projeção é que Rondonópolis terá um crescimento de pelo menos 50% em sua população nos próximos dez anos, o que é muito crescimento para um espaço de tempo curto, o que levou à exigência de que fosse atualizado o Plano Diretor do Município (PDM), para justamente organizar esse crescimento populacional e no número de veículos, que já deveria estar pronto já em 2016, mas até hoje não foi concluído.

 

O QUE MUDA NA VIDA DO CIDADÃO?

Com a aprovação e implementação do novo Planmob, devem ocorrer muitas mudanças no cotidiano das pessoas, algumas já no curto prazo, e outras ao longo dos próximos anos. “Ele tenta evitar o colapso da cidade em termos de trânsito, de circulação da população e de cargas pesadas. O estudo de logística simulou que, quando todo o condomínio onde está instalado o terminal ferroviário da Rumo estiver ocupado, qual será o fluxo diário de caminhões lá. Hoje, a capacidade do terminal é de cerca de mil e duzentos caminhões/dia, mas o estudo aponta que em cerca de vinte anos, esse número vai chegar a trinta mil caminhões/dia. Se hoje já temos dificuldades com esse número de caminhões, imagina quado estiver com cinco mil caminhões ou mais. Ou a cidade se prepara, faz obras para separar esses dois fluxos, o urbano e o de cargas pesadas, ou um vai colapsar o outro”, explicou.

 


Plano prevê conclusão do Anel Viário e Vias Rápidas

“Plano tenta evitar o colapso da cidade em termos de trânsito, de circulação da população e de cargas pesadas”, explicou o professor Jeater Santos, coordenador técnico da elaboração do novo Planmob – (Foto: Denilson Paredes)

 

Uma das primeiras intervenções previstas para evitar esse colapso no trânsito local é a conclusão do Anel Viário, com a sua ligação à BR-364 pela Avenida W11, desviando todo o tráfego de veículos de carga que não necessite de fato entrar na cidade.

Já no quesito mobilidade urbana propriamente dita, o Planmob estabeleceu a chamada hierarquias de vias, que estabelece as vias arteriais principais, para fazer o escoamento mais rápido do tráfego, coletando o movimento de vias menos rápidas, as chamadas vias coletoras, com o fluxo menos intenso dos bairros. “O estudo identificou as vias que tem estrutura para suportar esse tipo de coisa, que estão distribuídas espacialmente de maneira adequada para realizar de maneira mais eficiente o trânsito dentro da cidade”, explicou Jeater Santos.

Entre as artérias principais, estão a Avenida Bandeirantes e a Rua Rio Branco, que passam a ter um novo sistema de sinalização e passarão por alterações nas permissões para estacionamento de veículos em suas laterais, o que deve ser proibido na maior parte do seu percurso. Essas vias devem acolher o transporte coletivo da cidade e exigirão investimentos pesados para isso ser viabilizado, como construção de pontes e alargamento das vias, entre outras intervenções. “E isso mexe em todo o planejamento urbano da cidade, pois se um empreendedor quer construir um prédio de 20 andares num local onde não há vias pelo menos intermediárias, a Prefeitura não autoriza, pois aquilo é um polo gerador de tráfego. Então, isso começa também a ordenar as construções”, pontuou o professor.

 


Ciclovias e ciclofaixas devem ter prioridade

Outra medida prevista é o aumento do número de ciclovias e ciclofaixas, como forma de estimular o uso de bicicletas e diminuir o número de veículos motorizados no trânsito

 

O Plano de Mobilidade também prevê modais alternativos de transporte, como as bicicletas, ampliando o número de novas ciclovias e ciclofaixas, para estimular as pessoas a usarem esse meio de transporte não motorizado, que não polui o meio ambiente. “São muitas, várias, e são resultados dos estudos feitos, que apontaram as vias que têm condições e suporte para a instalação dessas coisas e outros fatores de engenharia de tráfego. Isso não foi definido por outro critério que não fosse o técnico e o projeto aprovado foi praticamente na íntegra, do jeito que foi elaborado”, continuou Jeater Santos.

 

TRÂNSITO DE PEDESTRES

Outra modalidade de trânsito que o novo Planmob prevê é o de pedestres, com a adoção de medidas para facilitar a vida de quem opte por fazer o seu percurso a pé, também para estimular esse modal de transporte. Entre as intervenções previstas nas vias públicas estão a construção de pistas específicas, assim como nas pontes, que quase em sua totalidade não possuem passarelas para pedestres. “As pontes foram feitas somente para carros, e além de não ter passarelas para pedestres, também não possuem iluminação. São dois fatores que vão ter que ser corrigidos para que as pessoas possam se deslocar andando”.

 


Calçadão também previsto para o Centro

Outra intervenção prevista no novo Plano de Mobilidade é a adoção de um calçadão no quadrilátero mais central da cidade, que envolve no seu total uma área bastante grande, que vai da Avenida Dom Wunibaldo até a Avenida Tiradentes e da Rua Dom Pedro II até a Rua Fernando Correa da Costa. O objetivo é retirar o trânsito pesado da região central da cidade, permitindo que as famílias possam caminhar com tranquilidade pelo centro e fazer suas compras, além de estimular o comércio e o surgimento de atividades artísticas e gastronômicas nesses lugares, que se tornariam um novo atrativo.

A ideia é que esse calçadão seja implantado por partes, em um horizonte de até dez anos, permitindo que as pessoas tenham tempo de se adaptar à novidade. “Rondonópolis é uma cidade cujo comércio atende toda uma microrregião, então quando chega o final do ano ou datas festivas, quando as pessoas querem comprar e presentear, o centro da cidade vira um pandemônio. Isso praticamente trava o centro e aí temos um problema sério. Com o calçadão, você fortalece o comércio e abre novas possibilidades, pois as ruas poderão ser utilizadas para atividades culturais, como praça de alimentação e as pessoas poderão andar com segurança. Isso humaniza o espaço, favorece o próprio comércio e por aí vai. Você transforma o centro da cidade em um grande shopping a céu aberto”, concluiu Jeater Santos.

Situações como preparar as vias no entorno para receber esses veículos que transitam atualmente pelo centro e das pessoas que moram na região e possuem veículos ainda são problemas que precisam serem resolvidos, o que é atribuição do Poder Executivo, assim como decidir por onde começar a aplicar o novo Plano de Mobilidade Urbana da cidade, além de correr atrás dos projetos técnicos para por o projeto em execução, com prestações de contas anuais sobre a evolução dos mesmos.

 

1 COMENTÁRIO

  1. Esse plano diretor foi discutido com a sociedade? Pelos menos eu não percebi isso!
    Muito bonito o plano temos certeza que é uma ideia incrível!
    Mas se tivesse uma fiscalização simples das obras e calçadas já ajudaria muito sem muito investimento, pois em Rondonópolis cada um faz o que quer e andar pelas nossas calçadas é uma tristeza, cadeirante então esqueça, não existe fiscalização!
    TERRENOS ABANDONADOS ATÉ MESMO NAS PROXIMIDADES DO CENTRO sem calçadas, muros, e cadê a fiscalização…..
    Tomara que o lindo plano seja bom por ser executado, não apenas por ser lindo para o SIMPLES cidadão!

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