Passados quinze séculos desde o seu surgimento, a língua inglesa tem angariado uma dezena de adjetivos que, merecidamente ou não, de tempos em tempos, surgem aqui e ali na boca das pessoas e nos meios de comunicação em massa. Aparentemente alheio a tudo isso, o idioma bretão segue incólume em meio aos argumentos a favor e contra o status de que ele desfruta atualmente: de língua franca do momento – uma espécie de “língua comum” entre os povos da modernidade. Posição essa que, teoricamente, o faz capaz de aproximar (ou de afastar) pessoas de diferentes origens.

Por ene razões, ele tem recebido diversas denominações também por parte dos estudiosos da área da Linguagem, que o classificam como língua ‘global’, ‘do mundo’ e ‘universal’, por exemplo. Para mim, já que ele se insere na condição de ‘largamente utilizado em muitas nações’, às vezes como primeiro, segundo ou idioma estrangeiro, nada mais oportuno que chamá-lo de ‘internacional’. Entretanto, vale lembrar que, ao longo da história, nos últimos mil e quinhentos anos, motivos políticos, econômicos e culturais colaboraram para que o idioma bretão se transformasse no mais utilizado no mundo no que se refere à comunicação entre pessoas que não falam a mesma língua, estejam elas em qualquer um dos continentes que compõem o globo terrestre. Em outras palavras, o inglês é o responsável pelo sucesso na comunicação entre pessoas que o dominam o bastante, pois dele precisam na sua vida pessoal e/ou profissional.

No entanto, esse idioma utilizado mundo afora, seja por europeus, asiáticos ou africanos, mesmo que pouco ou muito diferente daquele existente nos países em que ele é a língua oficial ou materna (geralmente tidas como o padrão/ideal a ser seguido), revela apenas uma faceta da influência do inglês, tanto local quanto globalmente, no dia a dia das pessoas, das empresas e dos governos existentes no planeta atualmente. Explico: embora não saber a língua inglesa não deixe ninguém doente e nem cause mortes, não sabê-lo costuma ser considerado um aleijão intelectual num mundo que preza pela urgência, pela competitividade e pela perfeição estética – especialmente nos altos escalões das carreiras nos setores público e privado das grandes metrópoles do país e do mundo.

Reconhecido como a língua mais falada por diferentes nações do planeta, o inglês está presente na nossa comunicação diária e também pode ser percebido em escala mundial, mormente nas relações comerciais e diplomáticas, bem como quando veiculado por emissoras de rádio/televisão e pela Internet. Eis algo aparentemente tão natural quanto a sua presença nos ambientes científicos e acadêmicos, nas viagens pelo mundo, nos eventos esportivos, nos sites/blogs, nos aplicativos de celular etc. Hoje, o inglês é uma espécie de commodity cultural, um capital intelectual muito cobiçado e valorizado, capaz de servir de mecanismo intercultural e multicultural, aproximando ou distanciando interlocutores de diferentes nações, e causando reações positivas e negativas quanto à sua presença e influência no dia a dia de cidadãs e cidadãos de todas as idades e interesses ao redor do mundo.

Na prática, porém, o inglês está longe de ser uma língua comum a todos os povos (por mais que ele tenha impacto direto ou indireto no cotidiano de aproximadamente 2/3 da população mundial), já que questões ideológicas e culturais ainda impedem a sua dispersão pelo planeta e a sua adoção como ‘idioma auxiliar’ quando ele se faz necessário, como às vezes ocorre em tempos de guerra e de emergências humanitárias. Nesse contexto, milhares de pessoas morrem pelo mundo todos os anos, enquanto que outras milhares lutam para manter vivo o sonho de dominar o ‘bom inglês’.

Para a maioria dessas pessoas, a versão ‘internacional’ do inglês soa bastante sedutora porque, segundo alguns estudiosos, ela prevê a produção e a aceitação de algumas ocorrências orais, lexicais e sintáticas consideradas ‘estranhas’ ou ‘inaceitáveis’ na forma (culta ou padrão) utilizada por falantes nativos. Ou seja: uma vez ‘internacional’, o inglês falado e escrito tende a ser mais pausado, mais simplificado e menos gramatical, pois o que realmente importa é que (apesar de eventuais dificuldades) a comunicação ocorra, fruto da paciência e da dedicação daqueles que, por prazer ou por obrigação, desejam cultivar e/ou aperfeiçoar o que já sabem, day after day.

(*) Jerry T. Mill é mestre em Estudos de Linguagem (UFMT), presidente da Associação Livre de Cultura Anglo-Americana (ALCAA), membro-fundador da ARL (Academia Rondonopolitana de Letras), associado honorário do Rotary Club de Rondonópolis e autor do livro Inglês de Fachada.

 

1 COMENTÁRIO

  1. Muito bem! Parabéns!
    Abraços!

    Aires José Pereira é coordenador do curso de Geografia da Universidade Federal de Rondonópolis, coautor do Hino Oficial de Rondonópolis, escritor com 17 livros publicados.

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