Neste ano de 2020, a Igreja do Brasil lança a Campanha da Fraternidade, com o Lema: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (LC 10, 33-34) e nos revela algo curioso sobre o “olhar” e que olhar é esse que a campanha quer mostrar a vida que grita por vidas. Olhar que abandona as pessoas; o olhar que destrói a natureza; o olhar da indiferença exclui a vida; o olhar da solidariedade social e qual será o nosso olhar……?

Objetivo nos deixa claro a preocupação pela busca do sentido da vida como dom e compromisso, recriando relações fecundas na família, na comunidade e na sociedade, à luz da palavra de Deus.

Hoje vamos falar do olhar que abandona a vida das pessoas a margem do sistema opressor neoliberalismo do sistema capitalista, que estão tirando os nossos direitos e matando aos poucos. De acordo com o texto-base da campanha, a realidade mostra que será necessário empreender muitos esforços para que realmente a vida esteja em primeiro lugar.

Olhamos para o Brasil, onde 22,6% das crianças e adolescentes de 0 a 14 anos vivem em extrema pobreza, além disso, 2,5 milhões de crianças e adolescentes até 17 anos trabalham, mais de 11,7 mil crianças e adolescentes foram vítimas de homicídio em 2017 e 3 milhões de domicílios estão em favelas e aqui mostra-se só alguns exemplos. Essa invisibilidade e exclusão também parece não ter sofrido alterações desde 2007. Além disso, o desemprego atingiu no primeiro trimestre de 2019, 12,7% da população, sem falar nos acidentes de trânsito e nas rodovias, as sucessivas agressões aos povos indígenas, os conflitos por terra e água, a violência e o feminicídio crescente.

No contexto atual, a banalização da vida também alcançou o mundo virtual por meio das Fake News, dos perfis falsos e da disseminação de conteúdos de calúnia. Com isso, os vínculos que definem o ser humano como um ser que sempre está em relação com o próximo está cada vez mais frágeis na organização social que incentiva o individualismo e gera isolamento e um crescente depressão que ceifa as vidas.

Observamos como a pobreza se alastra assustadoramente e se manifesta de inúmeras formas em nossa realidade, que o ser humano desde a fecundação à morte, a vida é atingida em muitos sentidos e de diversas formas, pois então pode-se entender que é a crise do sentido que gera a desesperança, angustia, depressão, mutilação que abandono se instala.

Neste tempo, a quaresma nos convida a uma profunda conversão e nos põe diante da realidade onde Jesus, nos apresenta o olhar e diante desses olhares, temos a vida em perigo… O contexto de injustiça social, de opressão econômica, política e religiosa que a parábola do Bom Samaritano (Lc 10,25-37) ganha eloquência e precisa ser entendida. Na narrativa do Bom Samaritano, vemos a compaixão-misericórdia como um princípio básico para o seguimento de Jesus Cristo e do seu Evangelho, projeto de vida para todos a partir dos excluídos.

O Documento de Aparecida, nº 20 insiste que precisamos olhar a realidade como discípulos missionários de Jesus Cristo, para não nos afligirmos e para nos animarmos, pois muitas são as “divisões” que distanciam as pessoas.

A você leitor, para uma verdadeira mudança de vida, precisamos aprender a configurar nosso olhar com o de Jesus, com o olhar do Bom Samaritano.

 

(*) M. Aparecida Silva é pedagoga, psicopedagoga e membro da coordenação Dioc. de Pastoral.

 

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