“Quando há todo um preparo em cima da preocupação com segurança, quando as pessoas têm o mínimo de capacidade técnica, se minimiza muito as chances de acidentes”, explicou o engenheiro de segurança contra incêndio e pânico, Cláudio Hessel – (Foto – Arquivo)

 

Segundo o engenheiro de segurança contra incêndio e pânico, Cláudio Hessel, ainda que não se possa evitar todos os tipos de acidentes, grande parte destes podem sim serem evitados tomando alguns cuidados simples.

“A maior parte dos acidentes que acontecem nas residências envolvendo gás de cozinha tem a ver com os botijões chamados P13, que são de uso exclusivo residencial. Primeiro, é importante que as pessoas estejam atentas ao prazo de validade das mangueiras que ligam o botijão ao fogão, que tem um prazo de validade de cinco anos. Isso porque a maioria das pessoas não têm o hábito de fechar a válvula do botijão, que, pelas minhas pesquisas, somente 20% das pessoas fazem isso quando não estão em casa ou vão viajar. Então, com essa válvula aberta, toda a pressão do botijão está na mangueira enquanto o fogão está fechado. Então, essa mangueira pode ter um rompimento e esse gás sair pelo interior da sua residência e basta que uma geladeira dê partida, ou uma tecla de iluminação se acenda, para que aconteça uma explosão em toda a residência dessa pessoa”, informou.

Ele continua explicando que, em caso da família estar dormindo enquanto ocorre o vazamento de gás, todos os seus integrantes podem vir a óbito, devido à inalação do gás. Outra recomendação importante é que as pessoas não aceitem botijões de gás amassados ou com outros tipos de danos, o que compromete a resistência do mesmo, podendo resultar em uma explosão, já que o gás está em estado líquido e pressurizado no interior desse botijão.

A válvula do botijão também é outro item que precisa ser observado pelas famílias, pois um defeito na mesma pode também levar ao vazamento do gás e às consequências já citadas anteriormente, sendo recomendável que se procure uma de qualidade.

“Outra coisa que se observa muito é algumas pessoas fazem gambiarras, enfiando uma mangueira na outra, remendando. Não é assim, toda mangueira tem que ser apropriada, não posso comprar uma mangueira dessas de mercado e querer usar ela (no botijão). Porque se houver um vazamento, o gás vai entrando dentro das paredes, das estruturas, e quando se vê, em algum momento acontece uma explosão”, continuou.

Cláudio Hessel ensina que é relativamente simples conter um incêndio em botijão de gás, bastando apenas se interromper a saída o mesmo, o que pode ser feito com qualquer objeto não inflamável e pelo qual o gás não passe, já que o fogo tem início a cerca de 15 centímetros ou mais acima do botijão.

“Outra coisa: é que, para prestar socorro para alguém num caso desses, a pessoa realmente precisa estar preparada. Porque senão acontece como a pessoa que vai socorrer alguém que está se afogando e acabam se afogando os dois”, exemplificou.

O especialista lembra também que é importante que os condomínios verticais, tendência que está em crescimento na cidade, procurem ter suas brigadas de incêndio, com treinamento apropriado para agirem em situações envolvendo o gás de cozinha, como forma de evitar grandes desastres, o que é exigido por lei e existe inclusive uma normativa tratando do assunto.

“Isso é um aspecto cultural e as pessoas tinham que ser treinadas desde criança, pois as pessoas não tem um preparo para isso, mas não é por culpa delas. É que realmente elas não tiveram uma oportunidade ter um treinamento adequado. Os extintores estão nas paredes, mas ninguém sabe usar eles. Nós precisamos realmente trabalhar na prevenção”, externou.

Choques elétricos são outro problema que acontece em muitos lares, principalmente com crianças, o que segundo ele é amenizado em Rondonópolis por conta de a voltagem da tensão da energia na cidade ser de 127 volts, mas em outras localidades, onde essa tensão é de 220 volts, o choque elétrico costuma levar até à morte.

“Mas mesmo assim é perigoso. É importante o chuveiro, que é algo realmente perigoso dentro de casa, esteja bem ligado. É importante ter disjuntores em casa, para prevenir essa questão. Uma outra coisa que temos muito na cidade, por conta do calor, são as piscinas, que precisam ser fechadas nas casas onde tem crianças pequenas, para que elas não tenham acesso. Uma cerca, tela, fechar para proteger as crianças. Em um segundo de descuido a criança cai. Outra coisa que é importante é colocar uma barra nos banheiros das residências onde há idosos, para evitar os escorregões, que também são muito perigosos. Tapetes frouxos nas casas também provocam escorregões”, continuou Cláudio Hessel.

 

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